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domingo, 6 de janeiro de 2013

MAIS DO MESMO, DIANTE DO TRONO DA TV

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra! Quem, evangélico neopentecostal que seja, nos idos anos 90, não sonhou com a ascensão evangélica e não comungou do seu desejo de estar na televisão.

Éramos então minoria inexpressiva e que como negros, e mais atualmente os homossexuais; buscavamos lugar na sociedade, sem sermos discriminados por nossa maneira de viver. Queriamos igualdade!

Porém a ânsia por dominar essa mídia, que outrora, era tida como a imagem da besta, fez com que igrejas adquirissem canais de televisão e outras comprassem horários em alguns canais da TV aberta. E o que transmitir além dos cultos? Nas TVs próprias, passaram a nos entupir dos enlatados gospel americanos. Tidos com exemplo, descaracterizaram o evangelho tupiniquim, tivemos como "inovadora" a teologia da prosperidade e então, passamos a imita-los em todo o conteúdo produzido, fazendo o mesmo nos horários comprados. 

Naquela época a TV Globo fez uma serie de investigações a respeito da igreja que mais crescia no pais e que detinha madrugadas inteiras em vários canais para transmitir seus cultos e programas. Seu líder é preso devido às muitas acusações. Perseguição? Não sabemos. Foram anos de deserto, nos escondemos como que acuados, mas ainda assim, estávamos sendo forjados para aquilo que nos falaram os "profetas". Mas há refrigério em meio ao deserto.

Quem nos seus 30 anos ou mais, nao vibrou, chorou, se emocionou, vendo a aparição, da então menina, Aline Barros no programa da Xuxa cantando "Consagração", um verdadeiro culto, no programa daquela que acusávamos de ter vendido a alma ao diabo. Era porta necessária para que evangélicos pudessem adentrar as portas do reino da TV brasileira. Até que em um dia especial, Aline canta: Xuxa, minha rainha...foi a gota d'água.

Edir Macedo compra a Rede Record, aleluia! Lideres evangélicos acreditam que ele a transformaria em uma rede aberta de evangelismo, cederia horários às igrejas. Ganhar o Brasil para Jesus estava mais perto. Porém as intenções dele, ao menos ao que parece, eram outras: destruir o imperio da TV Globo.

Surge então um novo ícone na TV evangélica brasileira, Sonia Hernandes, a primeira mulher numa esfera que até então era dominada por homens. Fontes não seguras dizem que a partir dai, passamos a adotar o termo "gospel". A revolução estava sendo preparada, mas seus protagonistas volta e meia eram notícias - de charlatão a perua gospel. Noticiavam seus feitos, enriquecimento i-licito, o crescimento exponencial de suas igrejas, e também escândalos, suspeitas de lavagem de dinheiro, formação de quadrilhas, etc.

Em meio a toda essa bagunça, a igreja crescia e saia de uma posição inexpressiva, para uma posição de destaque social, com poder de decisão política. Artistas, esportistas, jogadores de futebol, ricos, famosos e decadentes, vinham a publico para testemunhar que haviam "encontrado Jesus". Ser evangélico agora era chique, era cool, surgiam as igrejas da moda. 

Após algum tempo fora da TV, ressurge na TV Record de Edir Macedo, o apresentador Raul Gil, com seu "Quem sabe canta, quem não sabe dança", e muitos evangélicos foram até lá para mostrar o que sabiam, e onde mais queriam chegar. Fama? Quem sabe. Forçado pela demanda e talvez por mais alguém, Raul Gil abre seu programa para cantores evangélicos consagrados. "A revolução dos humildes" como dizia seu Raul estava deflagrada.

A Band uma das maiores emissoras do pais, abre seu horário nobre para o Show da Fé de R.R Soares. Silas Malafaia com sua veemência, adquirindo mais e mais horários na TV, torna-se ícone, quase um Billy Graham brasileiro, sendo chamado para aconselhar o governo em muitas de suas decisões. Aparece então, do nada, Valdomiro Santiago com uma mega igreja, que ninguém viu crescer. Mais polemicas, mais programas de TV. E a disputa passou a ser de quem pagava mais para ter mais horários na TV.

Então o grande dia chegou, o dia em que a maior emissora de TV brasileira, novamente abriria suas portas, é o cumprimento da promessa: Os evangélicos na Globo.

Não entrarei no mérito da jogada financeira das Organizações Globo, em investir no segmento fonográfico evangélico, que não viu a crise que abateu a música no mundo todo. A Som Livre, cria selo gospel, e passa a distribuir logo de cara, os CDs e DVDs do maior nome gospel da atualidade: Diante do Trono. Cria o Festival Promessas e... “Mãe to na Globo!!”

Chegamos lá, alcançamos o tão sonhado trono.
E o que temos a oferecer?

O profissionalismo que buscamos, além do aperfeiçoamento da qualidade para glória de Deus, também tem uma pitada da vingança nossa de cada dia. Nos fez melhores, porém iguais, somos mais do mesmo.

Somos iguais a vários artistas não evangélicos que estão ai. Artistas-pastores sem conteúdo, vendidos ao mercado da música.

Oferecemos: festivais, musicais, shows; temos carreira, turnê e uma preocupação exagerada com a imagem, agora gordinhos não tem vez, e o caráter? Sem falar no comércio de canções que vendem, porém são todas ungidas.

Comemoramos que chegamos lá, temos espaço. Mas para que? Estar lá não significa que estamos fazendo algo de relevante.

O que estamos transmitindo? Somos iguais a vocês, somos bonitos, cantamos bem, podemos estar na TV e fazer música apenas para entretenimento e ganhando bem pra isso, já que nosso mercado não tem crise “ele tem Cristo” – risos (de vergonha).

Hoje somos uma parcela expressiva da sociedade, porém sem expressividade cultural ou social. A expressividade política, em sua maioria é corrupta, e nada faz para mudar a terrível imagem de violência e desigualdade do nosso país.

Nossa presença não mudou para melhor o conteúdo da TV brasileira, e sendo profeta de calamidade, não creio que mudará, se continuarmos a aproveitar o espaço que nos é dado, apenas para vender CD ou promover a “minha igreja” que é melhor que a do vizinho. 

Após nós, bundas e peitos continuarão sendo mostrados e nossos programas, continuarão sendo como comerciais de cerveja, vendendo ilusão, mas sem o mesmo sabor.

Deus nos perdoe por sonhar sonhos malucos.

4 comentários:

  1. Percebo que seu texto é um pouco exagerado, assim como de outros caras que tenho lido, mas tá valendo.

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  2. Sim senhor anônimo, exagerei! mas algumas pessoas do nosso meio, digo, cristãos, só conseguem perceber algumas coisas que estão diante do nariz assim. Quando ditas de forma exagerada, e isso, infelizmente.

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    1. Claro, claro. Infelizmente é assim.

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  3. Pois é, guardei bem guardado dvd do "diante do trono" no mineirão, há dez anos, Só pra citar um exemplo (o maior na minha opinião), afinal, muitos são os que se renderam aos efeitos que o dinheiro e a fama trazem.Muitas vaidades típicas de artistas do mundo. Claro que ainda restam aqueles que prezam pelo testemunho da vida simples, do louvor simples, do cantar pra Deus.

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