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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

AMIGOS INDICARAM, EU LI

Neste ultimo mês eu li como se não houvesse amanhã.
Foram leituras diversas e muito especiais. Li livros recomendado por amigos e, constato sem medo de errar que, não há nada melhor que um amigo que te recomenda livros.


As mentiras que nos contaram sobre Deus.
William P. Young
Editora Sextante
Recomendação: Marcio Cardoso

Não tenho o que comentar, chorei diversas vezes. É um livro libertador. Daqueles que você não precisa concordar com tudo, mas que respira aliviado quando fecha.



Preciso saber se estou indo bem
Richard L. Williams
Editora Sextante
Recomendação: Atividade do trabalho

Fiquei surpreendido com ao abordagem do autor. Um livro sobre feedback e sua aplicabilidade na vida e em todas as nossas relações.
Vale a pena a leitura.




O que é fascismo? E outros ensaios.
George Orwell
Editora Companhia das Letras
Recomendação e presente: Will Carvalho

Embora pequeno, apenas 159 páginas sua leitura é complexa a densa. O autor analisa livros e autores de sua época e por tratar-se de resenhas e artigos, não dá o contexto das criticas, então para ler e entender por completo, precisa conhecer um pouco a época em que foi escrito.



Perguntaram me se acredito em Deus
Rubem Alves
Editora Planeta
Recomendação: Bruna Gabrielle

Ele dispensa apresentações, gosto da foram com que escreve. O olhar da vida como o de criança deslumbrado com o que observa a primeira vez.
Uma leitura simples mas cheia de significados.




E além destes, iniciei uma maratona que vai durar um tempo para finalizar, pois estou intercalando com outras leituras. Embora a leitura de romances me seja enfadonha e difícil, estou gostando, como disse na postagem anterior, este ano estou me desafiando. Então estou lendo a saga de Harry Potter. Sou apaixonado pelos filmes. E como me disse uma amiga, um PotterHead de verdade é o que leu todos os livros, então vamos lá, para mais este desafio.










sábado, 5 de agosto de 2017

SAPIENS: HOMO DEUS

Tenho lido no decorrer dos últimos anos muitos livros instigantes. No que se refere a minha fé, leio muita coisa que a contradiz ou que a põe em xeque, é a forma que tenho de trabalhar minha mente e coração e fortalecer minhas convicções e valores. Ciente dos riscos, mas ainda assim, é a forma que encontrei de não cair no erro de me fechar em uma bolha de paradigmas e preconceitos e, não conseguir entender ou ouvir as vozes dissonantes ao meu redor.

Dica de uma amiga de trabalho, Sapiens e Homo Deus entraram na lista dos livros mais impressionantes que li. E mais do que tentar descrever a excitação que sentia durante a leitura e todos os questionamentos e curiosidades que aguçam minha mente e coração, vou deixar o próprio autor te provocar.

Assista a entrevista que ele deu ao Programa do Bial.





Sapiens: Uma breve história da humanidade                                  
Editora L&PM Editores
464 páginas













Homo Deus - Uma breve história do amanhã
Editora Companhia das Letras
443 páginas


domingo, 9 de julho de 2017

O PERVERTIDO SOU EU

Para quem é um leitor assíduo dos textos bíblicos, tem senso crítico e é experimentado na realidade da condição humana, não precisará forçar demais a memória para se lembrar de algumas situações relatadas nas escrituras e, perceber que os autores bíblicos não tiveram nenhum tipo de pudor em seus relatos. Podemos, assim entender, que não é necessário olhar pelo buraco da fechadura para conhecer com os santos homens de Deus agiam em sua intimidade sexual, pois até mesmo suas depravações estão exposta da forma mais escancarada possível.

Desta forma, a acusação que recai sobre o público homoafetivo de depravação sexual, moral e de seu instinto impetuoso para a destruição da família tradicional, quando confrontada com estes relatos perde completamente a força e o sentido de ser. E entender estes relatos como parte da experiência humana - com seus erros e acertos - lança luz à questão, pois ambos, héteros e homossexuais estão sujeitos a falibilidade humana e, a consciência disso, especialmente para quem tem dificuldade em acreditar que homossexuais nascem assim, pode ajudar na formatação de uma teologia menos inescrupulosa ao público homoafetivo.

De Abraão à mulher pega em adultério, o que as escrituras querem nos mostrar é que, na experiência humana não há ninguém que esteja no patamar de anjos, assexuados e imune à libido e desejos, embora utilizem-se da história de José (Gn 39) que fugiu antes que cedesse as investidas da esposa de Potifar, para exaltar um padrão de castidade que destoa - embora tenha seu valor - de todas as outras histórias bíblicas.

O que lemos nas escrituras  - com todo o respeito - e longe de uma comparação leviana, são relatos sexuais que, se tirados do contexto, poderiam estar na internet em blogs ou páginas de contos sexuais, em uma lista singela temos relatados de bigamia, poligamia, incestos, estupro, adultério e não poucos casos de sedução sexual por motivos distantes do amor romântico dos livros de Nicholas  Sparks. O que é digno de ressaltar é que alguns destes relatos envolvem crimes cruéis como no caso de Davi, que para acobertar seu adultério, arquiteta um plano maquiavélico, para assassinar Urias, o marido de Bateseba e como o de Abraão que manda embora, no meio do nada, sua concubina e o filho, fruto do adultério do patriarca.

E é de se admirar que alguns pastores e deputados da bancada evangélica ao destacar a luta - legítima - pelo direito civil homoafetivo como uma guerra para a destruição da familia, se esquecem destas importantes e simples constatações.

Me questiono se sua tendência a ignorar tudo isto, é o fato deles terem sido feitos em prol da família tradicional?

Anda hoje apenas os homossexuais são rotulados de promíscuos, pervertidos, vinculados à pedofilia, considerados grupo de risco para doação de sangue e transmissões de doenças sexuais e imoralidades em geral. Se esquecem que as maiores vitimas do vírus HIV são mulheres heterossexuais que receberam o vírus de seus maridos; outro dado importante é que em estudo realizado por uma Universidade dos Estados Unidos que analisou 269 casos de abuso infantil constatou que, em 82%  dos casos, a iniciativa partiu de adultos heterossexuais. Porém,  isso parece não ter grande importância, bem como os textos bíblicos, quando o tema é impedir que homossexuais tenham seus direitos estabelecidos, mesmo que sob pretextos duvidosos.

Quem acusa e difama as uniões homoafetivas como promíscuas e uma afronta a sacralidade da família, utilizam-se de tão poucos textos bíblicos mas conseguem fazer um estardalhaço tão grande, e o que não percebem é que, em toda a escritura não há relato algum de algum homossexual se infiltrando no seio da família de um dos heróis da fé, seduzindo-o com o objetivo de causar sua destruição. O que vemos na realidade são homens e mulheres - sujeitos às mesmas paixões que nós - dando lugar a suas cobiças, luxúrias e promiscuidades e vivenciando ou não as consequências de seus atos.

E depois, o pervertido sou eu, que casei com meu primeiro namorado e fui ter minha primeira relação sexual após os 30 anos.



sábado, 17 de junho de 2017

AMOR, HISTÓRIA E TEOLOGIA GAY

Os últimos meses foram de leituras intensas, de quebra de paradigmas e de aprofundamento de valores que em meu coração, só crescem a medida que vivendo percebo quão verdadeiros e significativos são: humanidade, respeito, justiça, solidariedade, compaixão, entre outros; Não apenas visto de um prima filosófico ou intelectual, mas espiritual e acima de tudo relacional.

Se faz urgente o retorno a estes valores, que devido a pregação contínua da individualidade e com o apoio inclusive daqueles que se dizem cristãos, estão sendo deixados de lado, até que caiam no esquecimento e o homem se transforme em uma máquina sem emoções ou sentimentos, escravizados por si mesmos e por desejos egoístas, em detrimento do outro e não somente do outro humano, mas do outro - o planeta - e tudo o que tem vida e nos cerca.


Uma brecha no armário - Proposta para uma teóloga gay
Fonte Editorial
André S. Musskopf

"Se para homens heterossexuais a masculinidade é uma carga com a qual precisam aprender a lidar, e uma grande pressão atingir o ideal de provedores que a sociedade lhe exige. para os homens gays esta situação é duplamente rigorosa. Numa sociedade em que o sucesso é a medida pela qual se aceita ou rejeita as pessoas, os homens gays têm que ser ainda melhores do que os homens reais".


Martinho Lutero - Um destino
Três Estrelas
Lucien Febvre

"O historiador Lucien Febvre reconstitui passo a passo a trajetória do fervoroso monge agostiniano que, no encalço da verdadeira fé cristã, se insurge contra a igreja católica, é excomungado e se vê, então, no epicentro de sucessivas revoluções - religiosas, sociais e politicas - e muitas vezes manipulado por estes acontecimentos que muitas vezes se entrelaçam a sua historia e com o destino de uma época inteira; o século XVI alemão e europeu. Por detrás dos conflitos religiosos que levaram à maior crise do catolicismo em todos os temos e à criação do luteranismo, delineia-se a idade moderna. Um livro com uma abordagem inovadora da narrativa biográfica, a densidade de suas reflexões e a vibrante escrita de Lucien.


O amor é contagioso - O evangelho da justiça
Fontanar
Papa Francisco

Em um mundo repleto de pobreza, violência, perseguição e indiferença, o Papa Francisco quer nos ensinar a amar. Segundo ele, se o mal é impositivo, o bem é contagioso. E, diante da adversidade, o amor - sinônimo de justiça - é a única força capaz de nos unir. E neste livro nos incentiva a trabalhar por um mundo mais solidário, exercendo a empatia, porque ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo. Através da solidariedade, do acolhimento, da igualdade, da fé e da misericórdia,  o amor é contagioso pretende nos guiar numa jornada pela superação das injustiças no mundo. Doar-se ao próximo: este é o amor divino.

Recomendo as leituras.


domingo, 11 de junho de 2017

A PRAÇA DOS ESCRAVOS

Era por volta das quatro da manhã, a galera após se acabar nos bagulho acenderam umas fogueiras para se aquecer. Quando o efeito da pedra passa, é o que nos resta, frio e fome. 

E nesta madrugada, especialmente fria, muitos possivelmente não acordariam, Seriam assaltados na calada da noite, por um ou pelo outro. Todos os dias eram assim na Praça da libertadora dos escravos. 

Os seus pretos, agora libertos, continuavam a ter um fim trágico: overdose, fome ou frio, nada diferente da senzala. 

Peguei minhas coisas e entrei na barraca armada com pedaços de madeira e papelão. Tentando me esconder do frio e pregar os olhos. O cheio de maconha entrava pelas frestas e com ela um vento gelado, e por mais que tentasse um mísero cochilo, o estômago impedia, doendo, roncava alto. 

Dia estranho, me incomodar assim com a fome, estava sem um puto para mais um barato antes de dormir, ao menos durante a nóia a fome desaparece. E depois, você dorme, não porque tem sono, mas para permanecer no sonho, longe do pesadelo da realidade. 

E entre um cochilo ou outro, se desperta no susto por uma briga, alguém mijando na sua cara ou por alguém tentando roubar o pouco que você tem para mais uma pedra. Não dá nem para julgar. 

Mas, neste noite as coisas estavam estranhas, acho que o frio fez a galera desanimar e querer apenas se aquentar. Um dia frio, drogas, bebidas e uma fogueira, era tudo. 

Mas eles chegaram de repente, eu estava quase pegando no sono, ouvi algumas sirenes  e a agitação. Som de passos rápidos, os cachorros latindo nervosos, olhei pela fresta e vi soldados, armas em punhos, passos fortes no chão, batiam violentamente em que ousava atravessar seu caminho. 

Gritaria, correria, pensei: Hoje é dia?! 
Porque não estão em suas casas aquecidas, em suas camas forradas com almofadas e edredons, dormindo o sono dos justos. 

Impiedosamente invadiam meu lar, para tirar meu sossego. 

Comecei a apanhar minhas coisas, tudo o que tinha cabia em uma sacola de mercado. Os passos apertavam, estavam mais perto, barracas eram derrubadas ao som de gritos: "vai vagabundo, levanta dai" ... "Não adianta correr" ... "se correr vai morrer". .."drogado, filho da puta".

Eles invadiram como uma enxurrada, varrendo tudo, levando o que viam pela frente. 

Apavorado, levantei, peguei minha troxa e tentei correr. Senti uma paulada nas pernas, cai, levei comigo uma barraca que caiu próximo a uma fogueira, levantando faíscas e espalhando brasas. Em pouco tempo, enquanto eu ainda me arrastava no chão, o fogo se espalhou. 

Fui puxado pelos cabelos, arrastado por alguns metros, até que me ergueram. 
Puta que pariu a praça estava em chamas. Sons de sirenes, barulho de helicóptero, soldados por todos os lados, gente sendo algemada, ouras apanhando por resistir.

E a praça em chamas, o fogo da justiça de um lado e da injustiça do outro.
Que a ambos consome de ódio.

A praça estava em chamas,  e a culpa era minha. 

Morador de rua, vagabundo, safado, drogado, preto e pobre.
Sem lar, sem nada.
E agora, sem praça. 

domingo, 9 de abril de 2017

REFUGIADOS

Em tempos como este, em que vivenciamos um grande número de pessoas deixando sua terra natal em busca de uma nova vida e, nações que, ao invés de estarem com braços abertos, fecham suas fronteiras, agravando ainda mais a situação, em que lado ficar?

Acabei a leitura de dois livros voltados para este tema - refugiados - um best seller ficcional sobre um rapaz africano chamado Samba que após a morte do pai, desejando dar uma vida melhor à família, migra para a França de forma clandestina; e a biografia de Yeonmi Park, uma criança que com sua mãe saem da Coréia do Norte em busca de sua irmã desaparecida e, que enganadas, são vitimas do trafico de mulheres para China, e buscam refugio na Coréia do Norte.

O que ambos tem em comum, a luta por uma vida mais digna, longe de ameaças de morte e da fome, induzidos pela promessa de fatura, riqueza e liberdade e, não apenas isso, a decepção por sentir-se enganados e as dificuldades em adaptar-se a uma nova língua, cultura e o preconceito - xenofobia - dos cidadãos nativos em relação a refugiados estrangeiros.

Marginalizados em guetos nas periferias da cidade, dificuldades para conseguir o documento de cidadania, somados a dificuldade de conseguir um emprego e o medo de serem apanhados pela policia e repatriados, levam os refugiados a teremos comportamentos que, em um extinto puro de sobrevivência, pode beirar a criminalidade, quando não chegar as vias de fato. Como escreveu Yeonmi: "Quando esta faminto e desesperado, você assume qualquer risco para poder viver", situação que fica explicita em Samba, ao se ver obrigado a pegar comidas perto do prazo de vencimento para vender em uma feira ou utilizar o documento de seu tio para conseguir um emprego; uma vez que Yeonmi e sua mãe não tinham outra opção já que sua situação era de escrava.

Recomendo a leitura, que além de atual, por si só, levantam uma série de questões que aos nativos passam desapercebidas e que são, em muitas vezes a causa do aumento da criminalidade e do aumento de moradores de rua em suas cidades, e em casos extremos, a causa de ataques terroristas.

Recomendo!!




Samba
Delphine Coulin
Companhia das Letras



Para poder viver
A jornada de uma garota norte-coreana para a liberdade.
Yeonmi Park
Companhia das Letras




** Aproveito para agradecer a Companhia das Letras pelo excelente atendimento e troca do livro Samba que veio com defeito e o prazo para troca na loja já havia encerrado.

quarta-feira, 29 de março de 2017

INTERNACIONAL

"Poderia estar triste pois acabaram as minhas férias, mas prefiro pensar que na verdade, só estou dando uma pausa para preparar a próxima viagem".

Assim me despedi das minhas férias no ultimo domingo, ao invés de ficar lamentando a musiquinha do Fantástico, preferi manter o meu coração repleto da beleza que vivenciei nos 8 dias que passei no Uruguai, minha primeira viagem internacional.

Desde criança tinha dificuldades em dormir fora de casa. Demorei muito a me acostumar a dormir em casa de parentes, ficava fabril, vomitava, e tinha que voltar para casa. Mais tarde, tinha que levar comigo minha almofada de penas - presente da minha avó paterna falecida - que de tão velhinha espalhava penas de galinha para todos os lados.

Ainda hoje, gosto mesmo da minha casa, minha cama, meu cheiro, meu canto e, não troco por qualquer lugar. Decidir para onde ir e onde se hospedar é um parto fórceps, preciso me sentir em casa e nem sempre sai barato. Algumas coisas são inegociáveis.

O que me impressionou tanto nesta viagem que mereceu um  texto, o fato de eu não me sentir apenas em casa, mas me sentir na possibilidade de realização de um sonho. Tão perto, mas tão longe. Assim que me senti. O Uruguai é logo ali, são apenas duas horas e trinta de viagem de avião, mas as diferenças são tão gritantes que parece uma viagem a outro continente.

Clima outonal, céu límpido, parques abertos, casas e prédios clássicos, poucos arranha-céus, ruas arborizadas, muitos museus, bustos de celebridades históricas ou obras de arte na maioria de suas praças, cafés, bibliotecas em estilo colonial, um povo educado e simpático em sua maioria. Qualidade de vida, não há pressa como em São Paulo, as pessoas caminham pelas ruas, não correm. Foram apenas oito dias com sensação de muitos, as horas duravam.

Uma amiga me dizia que nasci na época e pais errado, gosto de clima ameno como de outono, de obras clássicas, de coisas antigas, tenho a alma idosa, e Montevideo tem este ar de antiguidade.

Não sei se é apenas surpresa pela primeira viagem internacional, mas, se é verdade que, a primeira viagem internacional a gente nunca esquece, feliz sou eu por ter escolhido o Uruguai.


I love Montevideo.