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sábado, 25 de fevereiro de 2017

MALDIÇÃO & LUZ

Comecei este ano com duas leituras que não imaginei que fossem ser tão pesadas. Livros que numa leitura normal, levaria de 1 a 2 semanas para ler, se estenderam pelo mês inteiro. Isto não significa que são leituras ruins, mas que o tema abordado requer calma, meditação e uma digestão do que se lê, melhor que os demais.

A maldição que pesa sobre a lei - As raízes do pensamento critico em Paulo de Tarso.
Franz Hinkelammert - Ed. Paulus

O livro apresenta a presença de discursos do Apostolo Paulo em Marx. Para ambos a busca da justiça pelo cumprimento da lei produz injustiça, transformando a lei que outrora era boa, em seu contrário, torna-a pecado. As analises referente aos escritos de Paulo e seu contexto social é maravilhosa, pouco se trás sobre a religião em si, mas os argumentos são em minha analise, essenciais para uma teologia voltada para as questões sociais. Os últimos capítulos, são mais densos e de difícil entendimento, pois tratam de temas filosóficos e históricos que caso não haja no leitor um conhecimento mínimo sobre os temas, pode considerar a leitura enfadonha.

Venha, seja Minha luz
Brian Kolodiejehuk - Ed Petra

Trata-se de uma organização quase biográfica dos escritos privados de Madre Teresa de Calcutá. O livro baseia-se nas cartas que ela trocava com seus superiores e família, desde que decidiu deixar sua família para se tornar uma freira. Relata o chamado que recebeu e o "chamado dentro do chamado" o que a fez deixar a segurança do convento para viver em meios aos "mais pobres dos pobres" nas favelas de Calcutá. O livro dá uma vislumbre da vida espiritual pré e pós inicio das Missionárias da Caridade e da secura que se seguiu logo após iniciar os trabalhos junto aos pobres. Sua luta para se manter firme diante dos seus votos secretos de "dar tudo a Ele" e "sorrir para todos" mesmo diante de uma possível perda da fé, mas que na verdade, era uma prova de sua fé, se manter obediente, mesmo quando não havia razão para tal.

 
Recomendo as leituras, devagar para não engasgar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

ÚLTIMAS LEITURAS 2016

Um ano intenso, difícil e com desafios de leituras.
Me atrevi a navegar por mares desconhecidos e leituras mais densas.

Estão aqui as últimas leituras de 2016 (Setembro à Dezembro), com atraso, mas, nunca é tarde para colocar a vida em dia.

As nove lições essenciais que aprendi sobre a vida
Harold S. Kushner

As experiências de vida e espiritualidade de um dos rabinos mais respeitados dos EUA. Uma leitura bacana para quem entende que a religião verdadeira é aquela experimentada no amor ao próximo.



Anarquia e Cristianismo
Jacques Ellul

Um defesa do poder revolucionário do evangelho e suas nuances anárquicas a longo de sua construção histórica. E uma critica a como o evangelho durante a historia foi perdendo seu caráter revolucionário e se amoldando ao poder do Estado.


Harry Potter e a criança amaldiçoada
J.K Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Sou apaixonado pela série de filmes baseados nos livros, sendo este o primeiro livro que leio da saga.
O roteiro da peça teatral estrelada em Londres e que tem tudo para virar um grande sucesso de bilheteria ao tornar-se filme. Deu vontade de conhecer os outros livros, embora seja uma leitura que eu não faça.


Como Jesus se tornou Deus
Bart D. Ehrman

Escrito por um ex-pastor e agora um teólogo e pesquisador agnóstico, o livro desvenda a construção teológica de Jesus como Deus, desde os manuscritos mais antigos à historia da igreja no primeiro século e seus teólogos, o autor desvenda como a teologia acerca de quem é Jesus foi se moldando até a forma que conhecemos hoje.



O Eclipse da Graça - Onde foi parar a boa-nova do cristianismo?
Philip Yancey

Um dos meus autores preferidos, fala sobre com os cristão escondem a graça ao invés de manifesta-la. Uma critica a forma horrenda que cristão modernos tem sido conhecidos e um alento ao mostrar que ainda há remanescentes que clama pelo amor ao próximo e a construção de uma sociedade democrática em todos os aspectos inclusive religiosa.



domingo, 11 de dezembro de 2016

COLCHA DE RETALHOS

Somos uma colcha de retalhos
Alta costura celestial

Diferentes cores,
Diferentes texturas,
Diferentes tamanhos,
Diferentes historias,
Indivíduos.

De tantos lugares,
De tantas alegrias
De dores escondidas,
Saberes, sabores.

Somos um colcha de retalhos
Do evangelho legalista, histórico, pentecostal,
Da prosperidade, católico romano, espirita, ateu.

Unidos pela dor, unidos pelo amor,
Por um evangelho, uma utopia,
Sonho de Deus que, como um nos uniria.

Da Babel distante, confusão,
Do Espirito reinantes, comunhão.

Somos uma colcha de retalhos
com cordas de amor entrelaçados
fios de sangue que Ele verteu.

Somos uma colcha de retalhos
pelo próprio Deus costurados
para aquecer os sonhos seus.


Poema escrito para a apresentação no 1º Sarau da Comunidade Cristã - Zona Leste.
Realizado em 03/12/2016.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

MOVIMENTO

Em 2010 iniciei um processo de rompimento com o movimento evangélico, além de questões teológicas estavam envolvidas também questões pessoais. Porém neste processo de rompimento, seja ele em qual segmento for e não importam os argumentos, quem se exclui tende a aumentar não somente as críticas, mas a intolerância a qualquer contra argumento que façam em defesa de tal segmento, em resumo, o que não fazem é ruim e o que fazem não presta.

Interessante notar que pouco mudou em milhares de anos, o homem permanece atacando àqueles que enxergam o mundo de forma diferente. Acreditou-se que os ideais do Iluminismo trariam nova luz à razão e a renovação aos corações e, que a separação Igreja e Estado reduziria a violência causada por questões filosóficas, científicas e políticas.

Várias gerações lutaram para estancar o sangue que corria nas ruas, mas a hemorragia permanece, agora jorrando das telas de nossos computadores e smartphones. Nosso momento histórico revela uma geração diversa em muitos sentidos - cultural, sexual, ideológica, religiosa, etc. - mas que ainda não aprendeu a conviver com a diversidade, seja ela qual for. Uma sociedade plural que teima em ser singular.

Se alguém se diz avesso ao feminismo, é tachado de machista; se comunga com os ideais de esquerda, é socialista, comunista ou pior petralha; se torce para qualquer outro time, não importa qual, é anticorinthiano. A intolerância é tanta que, concordar com algo implica diretamente em "ser", "não ser" ou "ser contra" várias outras coisas. E o termômetro que nos mostra o grau desta febre de movimentos antagônicos são os comentários  nos artigos das agencias de noticias e nas diversas redes sociais. A cada nova postagem da "minha opinião" ou do "só li verdades" causam, além de debates homéricos, indiretas bem diretas, bullying  e um série de amizades desfeitas. A violência psicocibernética ganha espaço, sai da nossa mente e coração e ganha as redes e o mundo a assite de camarote. Banalizamos a violência nas redes, assim, podemos permanecer violentos, causando dor sem sofrer as consequências, pois esta não consta nas estatísticas e mapas da violência e crimes das ruas e podemos nos esconder atrás de perfis falsos.

Em um destes sábados preguiçosos em que você liga a TV em qualquer canal despreocupado com o que passa, deparei-me com uma entrevista com Fernanda Montenegro, atriz brasileira consagradíssima, dizia ela a este respeito: "radicalize mas não feche a porta". A frase me fez muito sentido e é o motivo deste texto.

Jesus, um radical em sua época, não fechou as portas. Critico feroz dos religiosos e do império e seus poderes, não virou as costas a Nicodemos, sumo-sacerdote e ao centurião romano com a filha a ponto da morte. A inimizade dos judeus em relação aos samaritanos não o impediu de levar água da vida para uma mulher sofrida. Jesus, fica claro, era contra sistemas de opressão, não contra as pessoas. Não destruiu o judaísmo e construiu uma nova religião, mas sim, criou uma rede de fraternidade e amor, que libertava da opressão dos movimentos e sistemas de poder instituídos.

E seis anos depois, após ter ficado três anos longe da igreja, e muito mais nestes dias de polarização politica e ideológica, que esta dividindo famílias, amigos e muita gente que tem o mesmo objetivo - um pais melhor - percebo que não precisamos concordar com tudo, a diversidade de pensamento, o questionamento e busca de novas respostas que se adequem a novas realidades é o que impulsionar o progresso e o desenvolvimento.

Todo movimento ideológico ou politico, existe para o bem das pessoas, o problema começa a existir quando este movimento se acha superior à outros, buscando uma hegemonia através do poder absoluto e ditatorial, e nesta busca, passe por cima das pessoas, subjugando e oprimindo os divergentes.

Então, seja você petralha, coxinha, feminista, do movimento do poder negro, socialista, comunista ou de extrema direita, é hora de rever seus argumentos e conceitos quando o sistema que você defende ficar acima ou contra humanos. Nada neste mundo precisa de nossa defesa com unhas e dentes senão a própria humanidade. Movimento algum salvará a humanidade, mas o homem pode estender suas mãos e ajudar o seu próximo, por isso, não se exclua.

Sobre o movimento evangélico, ainda tenho muitas divergências e busco respostas melhores que se adequem a minha visão do mundo e do que entendo por religião. Não me perco mais em  debates com quem ainda precisa do que ele oferece. A parte que me cabe é amar e este passa pelo respeito as diferenças.

sábado, 10 de setembro de 2016

A HISTORIA POR TRÁS DA HISTÓRIA

A dica de leitura deste mês ficam por conta destes dois livros que desmistificam a história que nos contam, abrindo um horizonte para novas interpretações e possibilidades:

1. Um Deus muito Humano
Frei Betto
Busca revelar o Jesus homem, histórico, politico, que lidou com problemas e pessoas reais e, que antes de se intitular o Filho de Deus, revelou o amor do Pai e seus desígnios de forma surpreendente. Quem é o Jesus que acreditamos? Qual a razão dos milagres? Muito além da fé, há fatos históricos que desconhecemos e que nos ajudam a perceber que os evangelhos não revelam apenas o milagre da encarnação, mas a preocupação de Deus com o dia-a-dia daqueles que são oprimidos e sofrem, e por isso são chamados de filhos de Deus.




2. Campos de Sangue "Religião e a história da violência"
Karen Armstrong
É notório que atualmente, todas as guerras são justificadas por motivos religiosos. Mas será mesmo?
De forma muito simples mas profunda, Karen desnuda a historia da humanidade e coloca todos os pingos nos is, revelando como a Aristocracia fez uso da religião para se manter no poder e justificar suas guerras como sendo guerras de Deus. Do homem primitivo e caçador, passando pelos povos Sumérios até à queda de Saddam Hussein na guerra ao terror travada pelos EUA, a autora desvenda como questões sociais, manipulação e desejo de poder, podem desencadear uma guerra santa.


Recomendadíssimos.

sábado, 25 de junho de 2016

AS TRANSFORMAÇÕES DA MPB

Conheço a Patricia, autora do livro e, consigo perceber nas poucas vezes em que conversamos, que ela é uma mulher destemida e de pontos de vista muito bem estruturados e definidos. Mestra em Ciências Sociais e graduada em Educação Artística, foi professora da rede pública em bairros carentes da periferia de São Paulo. Mas foi da experiência em sua própria família que nasceu a ideia de falar sobre o racismo estrutural no Brasil.

E o livro "As transformações da MPB - Um processo de branqueamento?" levanta questionamentos  preciosíssimos e ousados de como as estruturas de poder se movimentam para excluir os negros no que tange a visibilidade de sua arte, dando ao brancos os créditos de suas criações.

Longe de acusar pessoas, o que seria um risco, e esta ai a ousadia de tratar deste tema, avaliando o contexto histórico da criação da Bossa Nova e da Jovem Guarda, Patricia levanta questões de doutrinamento social em prol da criação de uma sociedade americanizada e elitista para que o mundo tenha uma visão de um Brasil que não existe. Cria-se uma democracia social que na verdade é uma maquiagem para a verdade e, que está explicita e neste tempo se mostra cada vez mais, o Brasil é um pais RACISTA.

Em palestra no lançamento do livro, realizada aos Jovens de uma comunidade religiosa na Zona Leste de São Paulo, a autora sinaliza que o processo não parou por ai, e envolve a esfera de outros ritmos musicas incluindo o Rock e até o pagode.

Recomendo a leitura, ansioso pelos próximos volumes.

As transformações da MPB - Um processo de branqueamento?
Autora Patricia Crepaldi
Editora Multifoco
Pg. 134

O DEUS QUE ME TOCA A PELE

Nada mais sugestivo que um livro religioso com este titulo em um mundo onde o corpo é tido como morada de todos os mais vis desejo s e das obras da carne do que como o templo do Espírito Santo. Onde os sentimentos, sensações de prazer, tristeza, alegria, dor, entre outros,, são reduzidos  a um coração enganoso e, por isso, não podem ser meio de um encontro com o divino. Uma inversão dos valores cristãos que há muito vem descaracterizando o evangelho de Jesus e criando cristão egoístas, robotizados em seus pensamentos e desumanizados.

O pastor da Igreja Betesda em Fortaleza, cantos e compositor com dois CDs lançados, coloca neste livro, em palavras e poesias toda a ousadia que já permeiam suas pregações e reflexões. Um olhar humano e por isso mais divino em cada releitura das historia bíblicas, que cheias de detalhes importantíssimos,  foram maculadas por interpretações dirigidas por uma visão distorcida da divindade e seu relacionamento com os homens.

Uma leitura que emociona ao perceber o amor de Deus e o seu cuidado para que o homem se encontre com a imagem e semelhança de seu Criador, sem descaracterizar o valor de sua humanidade. Um retorno a inocência das relação - Deus e homem - maculada pela sedução da serpente.

A cada capitulo esta percepção do Deus que nos toca a pele vai crescendo até culminar no Deus que se faz humano, e experimenta os sentimentos, saberes, sabores de uma existência onde Deus é Emanuel, que caminha com a gente e se preocupa com nossa vida hoje.

Recomendo a leitura.

O Deus que me toca a pele.
Autor Marcio Cardoso
Editora Chiado
Pg. 183