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domingo, 9 de abril de 2017

REFUGIADOS

Em tempos como este, em que vivenciamos um grande número de pessoas deixando sua terra natal em busca de uma nova vida e, nações que, ao invés de estarem com braços abertos, fecham suas fronteiras, agravando ainda mais a situação, em que lado ficar?

Acabei a leitura de dois livros voltados para este tema - refugiados - um best seller ficcional sobre um rapaz africano chamado Samba que após a morte do pai, desejando dar uma vida melhor à família, migra para a França de forma clandestina; e a biografia de Yeonmi Park, uma criança que com sua mãe saem da Coréia do Norte em busca de sua irmã desaparecida e, que enganadas, são vitimas do trafico de mulheres para China, e buscam refugio na Coréia do Norte.

O que ambos tem em comum, a luta por uma vida mais digna, longe de ameaças de morte e da fome, induzidos pela promessa de fatura, riqueza e liberdade e, não apenas isso, a decepção por sentir-se enganados e as dificuldades em adaptar-se a uma nova língua, cultura e o preconceito - xenofobia - dos cidadãos nativos em relação a refugiados estrangeiros.

Marginalizados em guetos nas periferias da cidade, dificuldades para conseguir o documento de cidadania, somados a dificuldade de conseguir um emprego e o medo de serem apanhados pela policia e repatriados, levam os refugiados a teremos comportamentos que, em um extinto puro de sobrevivência, pode beirar a criminalidade, quando não chegar as vias de fato. Como escreveu Yeonmi: "Quando esta faminto e desesperado, você assume qualquer risco para poder viver", situação que fica explicita em Samba, ao se ver obrigado a pegar comidas perto do prazo de vencimento para vender em uma feira ou utilizar o documento de seu tio para conseguir um emprego; uma vez que Yeonmi e sua mãe não tinham outra opção já que sua situação era de escrava.

Recomendo a leitura, que além de atual, por si só, levantam uma série de questões que aos nativos passam desapercebidas e que são, em muitas vezes a causa do aumento da criminalidade e do aumento de moradores de rua em suas cidades, e em casos extremos, a causa de ataques terroristas.

Recomendo!!




Samba
Delphine Coulin
Companhia das Letras



Para poder viver
A jornada de uma garota norte-coreana para a liberdade.
Yeonmi Park
Companhia das Letras




** Aproveito para agradecer a Companhia das Letras pelo excelente atendimento e troca do livro Samba que veio com defeito e o prazo para troca na loja já havia encerrado.

quarta-feira, 29 de março de 2017

INTERNACIONAL

"Poderia estar triste pois acabaram as minhas férias, mas prefiro pensar que na verdade, só estou dando uma pausa para preparar a próxima viagem".

Assim me despedi das minhas férias no ultimo domingo, ao invés de ficar lamentando a musiquinha do Fantástico, preferi manter o meu coração repleto da beleza que vivenciei nos 8 dias que passei no Uruguai, minha primeira viagem internacional.

Desde criança tinha dificuldades em dormir fora de casa. Demorei muito a me acostumar a dormir em casa de parentes, ficava fabril, vomitava, e tinha que voltar para casa. Mais tarde, tinha que levar comigo minha almofada de penas - presente da minha avó paterna falecida - que de tão velhinha espalhava penas de galinha para todos os lados.

Ainda hoje, gosto mesmo da minha casa, minha cama, meu cheiro, meu canto e, não troco por qualquer lugar. Decidir para onde ir e onde se hospedar é um parto fórceps, preciso me sentir em casa e nem sempre sai barato. Algumas coisas são inegociáveis.

O que me impressionou tanto nesta viagem que mereceu um  texto, o fato de eu não me sentir apenas em casa, mas me sentir na possibilidade de realização de um sonho. Tão perto, mas tão longe. Assim que me senti. O Uruguai é logo ali, são apenas duas horas e trinta de viagem de avião, mas as diferenças são tão gritantes que parece uma viagem a outro continente.

Clima outonal, céu límpido, parques abertos, casas e prédios clássicos, poucos arranha-céus, ruas arborizadas, muitos museus, bustos de celebridades históricas ou obras de arte na maioria de suas praças, cafés, bibliotecas em estilo colonial, um povo educado e simpático em sua maioria. Qualidade de vida, não há pressa como em São Paulo, as pessoas caminham pelas ruas, não correm. Foram apenas oito dias com sensação de muitos, as horas duravam.

Uma amiga me dizia que nasci na época e pais errado, gosto de clima ameno como de outono, de obras clássicas, de coisas antigas, tenho a alma idosa, e Montevideo tem este ar de antiguidade.

Não sei se é apenas surpresa pela primeira viagem internacional, mas, se é verdade que, a primeira viagem internacional a gente nunca esquece, feliz sou eu por ter escolhido o Uruguai.


I love Montevideo.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

MALDIÇÃO & LUZ

Comecei este ano com duas leituras que não imaginei que fossem ser tão pesadas. Livros que numa leitura normal, levaria de 1 a 2 semanas para ler, se estenderam pelo mês inteiro. Isto não significa que são leituras ruins, mas que o tema abordado requer calma, meditação e uma digestão do que se lê, melhor que os demais.

A maldição que pesa sobre a lei - As raízes do pensamento critico em Paulo de Tarso.
Franz Hinkelammert - Ed. Paulus

O livro apresenta a presença de discursos do Apostolo Paulo em Marx. Para ambos a busca da justiça pelo cumprimento da lei produz injustiça, transformando a lei que outrora era boa, em seu contrário, torna-a pecado. As analises referente aos escritos de Paulo e seu contexto social é maravilhosa, pouco se trás sobre a religião em si, mas os argumentos são em minha analise, essenciais para uma teologia voltada para as questões sociais. Os últimos capítulos, são mais densos e de difícil entendimento, pois tratam de temas filosóficos e históricos que caso não haja no leitor um conhecimento mínimo sobre os temas, pode considerar a leitura enfadonha.

Venha, seja Minha luz
Brian Kolodiejehuk - Ed Petra

Trata-se de uma organização quase biográfica dos escritos privados de Madre Teresa de Calcutá. O livro baseia-se nas cartas que ela trocava com seus superiores e família, desde que decidiu deixar sua família para se tornar uma freira. Relata o chamado que recebeu e o "chamado dentro do chamado" o que a fez deixar a segurança do convento para viver em meios aos "mais pobres dos pobres" nas favelas de Calcutá. O livro dá uma vislumbre da vida espiritual pré e pós inicio das Missionárias da Caridade e da secura que se seguiu logo após iniciar os trabalhos junto aos pobres. Sua luta para se manter firme diante dos seus votos secretos de "dar tudo a Ele" e "sorrir para todos" mesmo diante de uma possível perda da fé, mas que na verdade, era uma prova de sua fé, se manter obediente, mesmo quando não havia razão para tal.

 
Recomendo as leituras, devagar para não engasgar.

sábado, 14 de janeiro de 2017

ÚLTIMAS LEITURAS 2016

Um ano intenso, difícil e com desafios de leituras.
Me atrevi a navegar por mares desconhecidos e leituras mais densas.

Estão aqui as últimas leituras de 2016 (Setembro à Dezembro), com atraso, mas, nunca é tarde para colocar a vida em dia.

As nove lições essenciais que aprendi sobre a vida
Harold S. Kushner

As experiências de vida e espiritualidade de um dos rabinos mais respeitados dos EUA. Uma leitura bacana para quem entende que a religião verdadeira é aquela experimentada no amor ao próximo.



Anarquia e Cristianismo
Jacques Ellul

Um defesa do poder revolucionário do evangelho e suas nuances anárquicas a longo de sua construção histórica. E uma critica a como o evangelho durante a historia foi perdendo seu caráter revolucionário e se amoldando ao poder do Estado.


Harry Potter e a criança amaldiçoada
J.K Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Sou apaixonado pela série de filmes baseados nos livros, sendo este o primeiro livro que leio da saga.
O roteiro da peça teatral estrelada em Londres e que tem tudo para virar um grande sucesso de bilheteria ao tornar-se filme. Deu vontade de conhecer os outros livros, embora seja uma leitura que eu não faça.


Como Jesus se tornou Deus
Bart D. Ehrman

Escrito por um ex-pastor e agora um teólogo e pesquisador agnóstico, o livro desvenda a construção teológica de Jesus como Deus, desde os manuscritos mais antigos à historia da igreja no primeiro século e seus teólogos, o autor desvenda como a teologia acerca de quem é Jesus foi se moldando até a forma que conhecemos hoje.



O Eclipse da Graça - Onde foi parar a boa-nova do cristianismo?
Philip Yancey

Um dos meus autores preferidos, fala sobre com os cristão escondem a graça ao invés de manifesta-la. Uma critica a forma horrenda que cristão modernos tem sido conhecidos e um alento ao mostrar que ainda há remanescentes que clama pelo amor ao próximo e a construção de uma sociedade democrática em todos os aspectos inclusive religiosa.



domingo, 11 de dezembro de 2016

COLCHA DE RETALHOS

Somos uma colcha de retalhos
Alta costura celestial

Diferentes cores,
Diferentes texturas,
Diferentes tamanhos,
Diferentes historias,
Indivíduos.

De tantos lugares,
De tantas alegrias
De dores escondidas,
Saberes, sabores.

Somos um colcha de retalhos
Do evangelho legalista, histórico, pentecostal,
Da prosperidade, católico romano, espirita, ateu.

Unidos pela dor, unidos pelo amor,
Por um evangelho, uma utopia,
Sonho de Deus que, como um nos uniria.

Da Babel distante, confusão,
Do Espirito reinantes, comunhão.

Somos uma colcha de retalhos
com cordas de amor entrelaçados
fios de sangue que Ele verteu.

Somos uma colcha de retalhos
pelo próprio Deus costurados
para aquecer os sonhos seus.


Poema escrito para a apresentação no 1º Sarau da Comunidade Cristã - Zona Leste.
Realizado em 03/12/2016.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

MOVIMENTO

Em 2010 iniciei um processo de rompimento com o movimento evangélico, além de questões teológicas estavam envolvidas também questões pessoais. Porém neste processo de rompimento, seja ele em qual segmento for e não importam os argumentos, quem se exclui tende a aumentar não somente as críticas, mas a intolerância a qualquer contra argumento que façam em defesa de tal segmento, em resumo, o que não fazem é ruim e o que fazem não presta.

Interessante notar que pouco mudou em milhares de anos, o homem permanece atacando àqueles que enxergam o mundo de forma diferente. Acreditou-se que os ideais do Iluminismo trariam nova luz à razão e a renovação aos corações e, que a separação Igreja e Estado reduziria a violência causada por questões filosóficas, científicas e políticas.

Várias gerações lutaram para estancar o sangue que corria nas ruas, mas a hemorragia permanece, agora jorrando das telas de nossos computadores e smartphones. Nosso momento histórico revela uma geração diversa em muitos sentidos - cultural, sexual, ideológica, religiosa, etc. - mas que ainda não aprendeu a conviver com a diversidade, seja ela qual for. Uma sociedade plural que teima em ser singular.

Se alguém se diz avesso ao feminismo, é tachado de machista; se comunga com os ideais de esquerda, é socialista, comunista ou pior petralha; se torce para qualquer outro time, não importa qual, é anticorinthiano. A intolerância é tanta que, concordar com algo implica diretamente em "ser", "não ser" ou "ser contra" várias outras coisas. E o termômetro que nos mostra o grau desta febre de movimentos antagônicos são os comentários  nos artigos das agencias de noticias e nas diversas redes sociais. A cada nova postagem da "minha opinião" ou do "só li verdades" causam, além de debates homéricos, indiretas bem diretas, bullying  e um série de amizades desfeitas. A violência psicocibernética ganha espaço, sai da nossa mente e coração e ganha as redes e o mundo a assite de camarote. Banalizamos a violência nas redes, assim, podemos permanecer violentos, causando dor sem sofrer as consequências, pois esta não consta nas estatísticas e mapas da violência e crimes das ruas e podemos nos esconder atrás de perfis falsos.

Em um destes sábados preguiçosos em que você liga a TV em qualquer canal despreocupado com o que passa, deparei-me com uma entrevista com Fernanda Montenegro, atriz brasileira consagradíssima, dizia ela a este respeito: "radicalize mas não feche a porta". A frase me fez muito sentido e é o motivo deste texto.

Jesus, um radical em sua época, não fechou as portas. Critico feroz dos religiosos e do império e seus poderes, não virou as costas a Nicodemos, sumo-sacerdote e ao centurião romano com a filha a ponto da morte. A inimizade dos judeus em relação aos samaritanos não o impediu de levar água da vida para uma mulher sofrida. Jesus, fica claro, era contra sistemas de opressão, não contra as pessoas. Não destruiu o judaísmo e construiu uma nova religião, mas sim, criou uma rede de fraternidade e amor, que libertava da opressão dos movimentos e sistemas de poder instituídos.

E seis anos depois, após ter ficado três anos longe da igreja, e muito mais nestes dias de polarização politica e ideológica, que esta dividindo famílias, amigos e muita gente que tem o mesmo objetivo - um pais melhor - percebo que não precisamos concordar com tudo, a diversidade de pensamento, o questionamento e busca de novas respostas que se adequem a novas realidades é o que impulsionar o progresso e o desenvolvimento.

Todo movimento ideológico ou politico, existe para o bem das pessoas, o problema começa a existir quando este movimento se acha superior à outros, buscando uma hegemonia através do poder absoluto e ditatorial, e nesta busca, passe por cima das pessoas, subjugando e oprimindo os divergentes.

Então, seja você petralha, coxinha, feminista, do movimento do poder negro, socialista, comunista ou de extrema direita, é hora de rever seus argumentos e conceitos quando o sistema que você defende ficar acima ou contra humanos. Nada neste mundo precisa de nossa defesa com unhas e dentes senão a própria humanidade. Movimento algum salvará a humanidade, mas o homem pode estender suas mãos e ajudar o seu próximo, por isso, não se exclua.

Sobre o movimento evangélico, ainda tenho muitas divergências e busco respostas melhores que se adequem a minha visão do mundo e do que entendo por religião. Não me perco mais em  debates com quem ainda precisa do que ele oferece. A parte que me cabe é amar e este passa pelo respeito as diferenças.

sábado, 10 de setembro de 2016

A HISTORIA POR TRÁS DA HISTÓRIA

A dica de leitura deste mês ficam por conta destes dois livros que desmistificam a história que nos contam, abrindo um horizonte para novas interpretações e possibilidades:

1. Um Deus muito Humano
Frei Betto
Busca revelar o Jesus homem, histórico, politico, que lidou com problemas e pessoas reais e, que antes de se intitular o Filho de Deus, revelou o amor do Pai e seus desígnios de forma surpreendente. Quem é o Jesus que acreditamos? Qual a razão dos milagres? Muito além da fé, há fatos históricos que desconhecemos e que nos ajudam a perceber que os evangelhos não revelam apenas o milagre da encarnação, mas a preocupação de Deus com o dia-a-dia daqueles que são oprimidos e sofrem, e por isso são chamados de filhos de Deus.




2. Campos de Sangue "Religião e a história da violência"
Karen Armstrong
É notório que atualmente, todas as guerras são justificadas por motivos religiosos. Mas será mesmo?
De forma muito simples mas profunda, Karen desnuda a historia da humanidade e coloca todos os pingos nos is, revelando como a Aristocracia fez uso da religião para se manter no poder e justificar suas guerras como sendo guerras de Deus. Do homem primitivo e caçador, passando pelos povos Sumérios até à queda de Saddam Hussein na guerra ao terror travada pelos EUA, a autora desvenda como questões sociais, manipulação e desejo de poder, podem desencadear uma guerra santa.


Recomendadíssimos.