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sábado, 10 de setembro de 2016

A HISTORIA POR TRÁS DA HISTÓRIA

A dica de leitura deste mês ficam por conta destes dois livros que desmistificam a história que nos contam, abrindo um horizonte para novas interpretações e possibilidades:

1. Um Deus muito Humano
Frei Betto
Busca revelar o Jesus homem, histórico, politico, que lidou com problemas e pessoas reais e, que antes de se intitular o Filho de Deus, revelou o amor do Pai e seus desígnios de forma surpreendente. Quem é o Jesus que acreditamos? Qual a razão dos milagres? Muito além da fé, há fatos históricos que desconhecemos e que nos ajudam a perceber que os evangelhos não revelam apenas o milagre da encarnação, mas a preocupação de Deus com o dia-a-dia daqueles que são oprimidos e sofrem, e por isso são chamados de filhos de Deus.




2. Campos de Sangue "Religião e a história da violência"
Karen Armstrong
É notório que atualmente, todas as guerras são justificadas por motivos religiosos. Mas será mesmo?
De forma muito simples mas profunda, Karen desnuda a historia da humanidade e coloca todos os pingos nos is, revelando como a Aristocracia fez uso da religião para se manter no poder e justificar suas guerras como sendo guerras de Deus. Do homem primitivo e caçador, passando pelos povos Sumérios até à queda de Saddam Hussein na guerra ao terror travada pelos EUA, a autora desvenda como questões sociais, manipulação e desejo de poder, podem desencadear uma guerra santa.


Recomendadíssimos.

sábado, 25 de junho de 2016

AS TRANSFORMAÇÕES DA MPB

Conheço a Patricia, autora do livro e, consigo perceber nas poucas vezes em que conversamos, que ela é uma mulher destemida e de pontos de vista muito bem estruturados e definidos. Mestra em Ciências Sociais e graduada em Educação Artística, foi professora da rede pública em bairros carentes da periferia de São Paulo. Mas foi da experiência em sua própria família que nasceu a ideia de falar sobre o racismo estrutural no Brasil.

E o livro "As transformações da MPB - Um processo de branqueamento?" levanta questionamentos  preciosíssimos e ousados de como as estruturas de poder se movimentam para excluir os negros no que tange a visibilidade de sua arte, dando ao brancos os créditos de suas criações.

Longe de acusar pessoas, o que seria um risco, e esta ai a ousadia de tratar deste tema, avaliando o contexto histórico da criação da Bossa Nova e da Jovem Guarda, Patricia levanta questões de doutrinamento social em prol da criação de uma sociedade americanizada e elitista para que o mundo tenha uma visão de um Brasil que não existe. Cria-se uma democracia social que na verdade é uma maquiagem para a verdade e, que está explicita e neste tempo se mostra cada vez mais, o Brasil é um pais RACISTA.

Em palestra no lançamento do livro, realizada aos Jovens de uma comunidade religiosa na Zona Leste de São Paulo, a autora sinaliza que o processo não parou por ai, e envolve a esfera de outros ritmos musicas incluindo o Rock e até o pagode.

Recomendo a leitura, ansioso pelos próximos volumes.

As transformações da MPB - Um processo de branqueamento?
Autora Patricia Crepaldi
Editora Multifoco
Pg. 134

O DEUS QUE ME TOCA A PELE

Nada mais sugestivo que um livro religioso com este titulo em um mundo onde o corpo é tido como morada de todos os mais vis desejo s e das obras da carne do que como o templo do Espírito Santo. Onde os sentimentos, sensações de prazer, tristeza, alegria, dor, entre outros,, são reduzidos  a um coração enganoso e, por isso, não podem ser meio de um encontro com o divino. Uma inversão dos valores cristãos que há muito vem descaracterizando o evangelho de Jesus e criando cristão egoístas, robotizados em seus pensamentos e desumanizados.

O pastor da Igreja Betesda em Fortaleza, cantos e compositor com dois CDs lançados, coloca neste livro, em palavras e poesias toda a ousadia que já permeiam suas pregações e reflexões. Um olhar humano e por isso mais divino em cada releitura das historia bíblicas, que cheias de detalhes importantíssimos,  foram maculadas por interpretações dirigidas por uma visão distorcida da divindade e seu relacionamento com os homens.

Uma leitura que emociona ao perceber o amor de Deus e o seu cuidado para que o homem se encontre com a imagem e semelhança de seu Criador, sem descaracterizar o valor de sua humanidade. Um retorno a inocência das relação - Deus e homem - maculada pela sedução da serpente.

A cada capitulo esta percepção do Deus que nos toca a pele vai crescendo até culminar no Deus que se faz humano, e experimenta os sentimentos, saberes, sabores de uma existência onde Deus é Emanuel, que caminha com a gente e se preocupa com nossa vida hoje.

Recomendo a leitura.

O Deus que me toca a pele.
Autor Marcio Cardoso
Editora Chiado
Pg. 183

sábado, 11 de junho de 2016

MAY

Maio é geralmente o mês que mais leio. Será que é porque é o mês do meu aniversário e consequentemente ganhe livros? Isso não importante tanto, mas as dicas de livros deste mês sim.

O fio das missangas
Mia Couto

Nunca tinha lido Mia Couto, comecei a me interessar desinteressadamente quando uma conhecida começou a pesquisa-lo para um trabalho de finalização de curso. Ela fazia comentários sobre o autor, publicava contos, fotos, vídeos, mas não foi o bastante para me interessar até uma outra amiga fazer uma venda de alguns livros a preços maravilhosos e acabei comprando. Para mim,  Mia Couto esta para a puberdade, sensualidade como Rubem Alves esta para a infância, espiritualidade. Mia fala sobre as coisas da vida, sua crueldade, a luta de gente pobre e suas mazelas, mas de forma bela e atraente. Vale a pena conferir o livro, mas aviso que o primeiro conto e chocante.


Metamorfose
Franz Kafka

Um livro que se tornou um clássico, uma historia repugnante e comovente. Me surpreendi com o livro, muito mais que a historia de um rapaz que vira "barata" o drama familiar e a forma com que eles lidam com o diferente é retratado de forma maravilhosa.  Além da questão pessoal do autor com o pai, que fica retratada nas entrelinhas do livro. Recomendo.




Madame Bovary
Gustave Flaubert

 Uma leitura das que não gosto muito, não tenho muita paciência para descrições detalhistas e intermináveis, mas por ser um clássico resolvi me esforçar a ler, mesmo que lentamente para conseguir ter paciência. A historia é interessante e foi um marco em sua época, sendo inclusive o autor processado por atentado a moral e bons costumes ao criticar de forma tão verdadeira algumas questões de sua época. Chama a atenção a linha psicológica traçada com perfeição da personagem principal, suas angustias, aflições e anseios, seus desejos e aspirações.


Boa leitura!!

sábado, 28 de maio de 2016

QUEM DERA, UM DIA

Quem me dera que um dia
Tenha oportunidade
Viver amor de verdade
Que seja minha companhia

na tristeza, na alegria
sem frescura, sem vaidade.

Que apenas em um momento
seu olhar de verdade
Aqueça meu coração e
segure minha mão
caminhando em liberdade
Ser apenas o que sou.
sem disfarçar o nosso amor, ter cumplicidade.
Essa vida é só um momento, passagem de pensamento diante da infinidade.


Texto de Mari Marinalva.
Publicado com autorização -  texto inspirado em uma declaração feita por meu marido em meu aniversário (27/05/16)

quinta-feira, 26 de maio de 2016

AH, MAS OS HOMENS TÊM QUE USAR GRAVATAS

Em Londres, uma recepcionista foi mandada pra casa por sua empresa, por se recusar a trabalhar de salto alto. A notícia se espalhou e sociedade inglesa colocou o tema em debate. Ah, mas os homens têm que usar gravata. Na sociedade tradicional do Brasil varonil, mulheres devem andar bem vestidas, de preferência usando salto. Ah, mas os homens têm que usar gravata.

Mulheres devem ser magras, elegantes, suficientemente sensuais, suficientemente recatadas, montadas no salto, depiladas, escovadas, com cada fio branco devidamente pintado, não podem ter olheiras nem usar um corretivo vagabundo que acentue as marcas de expressão. Não devem esquecer o rímel, nem o batom, que também não deve ser vermelho pra não ficarem parecendo vadias. Que a roupa seja atraente mas não marque muito o corpo, porque senão fica vulgar, mas também não pode ser muito fechada, senão fica muito pudica, fica feia. A mulher tem que pintar as unhas. Tirar cutículas. Depilar o buço. Pinçar as sobrancelhas. Cuidar da dieta. Malhar. Ler, porque nada mais chato do que mulher que não tem assunto. Tem que ter assunto, mas não pode falar muito, senão assusta o homem. Ah, mas os homens têm que usar gravata.

As casadas têm que ser esposas cuidadosas, têm que olhar as coisas da casa, têm que ser boas mães e ainda preparar surpresinhas para “segurarem” o marido. Mulheres devem aceitar cantadas na rua como agradáveis. Se forem bonitas e fecharem a cara, pode parecer que são metidas. Se forem “feias” e ainda assim fecharem a cara, podem parecer mal agradecidas. Mulheres estão na rua para enfeitar o mundo dos homens. E precisam estar impecáveis, porque eles vão olhar e vão cantar. Ah, mas os homens têm que usar gravata.

Mulheres têm jornada dupla: uma em casa pra não serem acusadas de desleixo, outra fora de casa para que não sejam chamadas de dondocas preguiçosas sustentadas pelo seus homens. Aliás, mulheres têm que ter um homem. Senão são encalhadas, mal amadas e não cumpriram seu grande papel social, que é o de se casar e ter filhos. E cuidar dos filhos. E mantê-los limpos, educados, finos, elegantes e não-sinceros. Polidos. Ah, mas os homens têm que usar gravata.

Mulheres não podem reclamar dessas coisas, porque é feio ficar de mimimi. Pois quer saber? Manda logo esse raio de gravata pra cá, deixa que eu uso. E vá você pra minha depilação, pro meu cabelereiro
, vá você tomar cantada na rua quando você não está a fim, vá você ser chamado de burro, de histérico, vá você subir no salto que eu não quero usar pra trabalhar e fique com ele o dia inteiro. Vá você ser chamado de vadio, de vagabundo, vá ser ameaçado de estupro, vá ser ridicularizado quando dá sua opinião sobre qualquer coisa. E não reclame. Não me venha com mimimi.

Dê cá essa sua gravata. E também a oportunidade de ser selecionada para o seu cargo e o seu salário. E leve consigo o meu pacote.

Ana Cris Gontijo.
Publicado com autorização.

domingo, 8 de maio de 2016

SER SALVO PARA SER HUMANO

Com menos de 80 páginas e uma linguagem simples e objetiva, Laercio Amorim de forma muito ousada e instigante, literalmente põe a pulga atrás da orelha questiona a doutrina da salvação. Longe do lugar comum onde se encontram a maioria dos cristãos protestantes (evangélicos), o livro faz uma analise do conceito de pecado, salvação, paraíso e o pós morte.

Como um professor querendo se fazer entender claramente, mas desejando que o aluno se interesse, se aprofunde e levante seus próprios questionamentos e argumentos, o livro tem aquele sabor de quero mais e o desejo de se aprofundar nos temas só aumenta a cada capitulo.

Laercio fala de uma salvação para o aqui e agora, uma salvação que nos faz perder de vista o Paraíso e nos firma os pés no Reino dos Céus estabelecido entre os homens. Uma salvação que nos afasta do ideal utópico de perfeição e nos desperta para a nossa humanidade, pois o erro de alvo de Adão e Eva foi "querer ser igual a Deus" desprezando que foram criados a sua imagem e semelhança.

Ser salvo para ser humano fala da plenitude da salvação para o hoje, para o nosso tempo, fala de uma salvação não somente para si mas que nos leva em direção ao outro.

Recomendo a leitura para você que gosta de ser desafiado em suas crenças e fé.
Seria uma maravilha ele fazer palestras sobre o tema.

Ser Salvo para Ser Humano
Autor: Laercio Amorim
Fonte Editorial