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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

ANTES DELE

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Havia tempo para sair com os amigos.
Todo encontro era uma festa, horas para sorrir e gargalhar.
Jogar conversa fora, falar sério e até filosofar.
Abraços prolongados e toques nas mãos.
Sorrisos com os olhos e presentes.
Sim, todos estavam presentes - corpo e alma.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Aguardava-se ansioso para saber o que haviam feito no final de semana ou nas férias.
Parava-se para prestar atenção nas aventuras vividas contadas aos detalhes para se imaginar.
Fotos, demoravam semanas para se ver, isso quando os negativos não queimavam.
Havia o que rever, havia o que lembrar, havia o que reviver.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Opiniões eram ditas a quem se conhece de verdade, que mesmo não concordando iria respeitar.
O direito de discordar era garantido, pelo amor, pela amizade, pela convivência.
As conversas duravam horas, pontos de vistas se tornavam conceitos, ou eram desfeitos.
Tudo isso regado a uma garrafa de cerveja ou um bom vinho, na varanda de casa ou na mesa de um bar.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
A vida era real e o mundo ideal estava apenas nas ideias e ideais.
A busca por ele era diária, sem utopia, com ações reais e gritos de guerra.
Musica, poesia e esperança, na vida ou morte.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Ouvia-se os gritos das crianças sem se incomodar, elas brincavam na rua, de se esconder e de pegar.
Corrida de rolemâ, quebrar um vidraça com a bola, brincar do que inventar.
O seu som era como musica, sinfonia de vida pela janela a entrar.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Cartas eram escritas a mão e perfumadas para fazer a saudade chorar.
No aniversário se fazia questão de estar, abraçar e desejar os sonhos a realizar.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Havia um nome a zelar e relações a cultivar.
E a vida era contada em verso e prosa.
Havia motivos pra sonhar.

Em dias como este, felicidade já não se sabe o que é.
Mas houve um tempo em que era real.
Até que criaram um outro mundo, o chamado virtual.

2 comentários:

  1. Entrei no tempo que delicadeza de realidade,que saudades ao ler isto !
    Voltei no tempo de um tempo já perdido!
    Muito obrigada pelas suas recordações meu caro poeta David.
    Saudosismo é o que nos resta,para quem teve este tempo antes desta era !
    Chorei ! Que lindo !Parabéns ! ;)

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  2. Muito bom! É a mais pura realidade =/

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