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terça-feira, 28 de abril de 2015

VOTOS

"Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio." 
William Shakespeare | Como Gostais - Ato V cena II - Rosalind  (1599 - 1600)

Após pouco mais de um mês do meu casamento, com as emoções no lugar e os pensamentos em ordem, fica mais claro escrever. Dias antes do casamento, ansioso e angustiado, precisava escrever os votos e as palavras não fluíam. 

Queria escrever sobre o porque me casaria com o Wagner, quais as qualidades que ele possui que me atraíram a ele e não conseguia. Foram dias complicados que me fizeram colocar em dúvida meus sentimentos e os motivos de tão definitivo passo. Se há algo desumano, é não reconhecer os valores do outro. Então decidi olhar tudo o que já havia escrito sobre nós, foi quando me deparei com a seguinte texto:

"É um amor tão tranquilo que às vezes penso que não é. Mas é só ficar perto de você, que a dúvida passa. Nossos encontros são poesias que ninguém lê. Não necessitamos palavras, todo meu corpo fala quando te vê. E nos meus olhos pode ler aquilo que em voz alta não consigo dizer.
Então me conquiste até eu não ter mais forças e desista de resistir. E com um grito coloque pra fora o meu coração ainda pulsando, e dizendo baixinho o que você precisa ouvir. E que só consigo dizer sem palavras, olhado pra você." - Sem Palavras - David Santos - 30/10/2011.

Quando nos apaixonamos, é como comprar uma caixa fechada e que só pode ser aberta quando chegarmos em casa, não havendo possibilidade de devolução ou troca. O que isso significa? Que precisamos amar o conjunto - a caixa e seu conteúdo - não apenas o que está por fora, não apenas o "corpo que o sexo deseja"... parafraseando o Pequeno Príncipe "o essencial é invisível aos olhos, pois só se vê bem com o coração". Temos que amar além do que os nossos olhos podem ver, e isso inclui amar a alma, os sonhos, anseios, medos e tudo o mais que a vida nos fizer experimentar, Se a vida é uma caixinha de surpresas, o amor é o embrulho e suas fitas.

Insisti mais um pouco tentando encontrar as tais qualidades, e somente na madrugada que antecedia o casamento, quando não consegui ter um sono profundo, acordei com milhões de pensamentos e um deles me dizia: "o dia em que você precisar justificar com as qualidades de alguém o porque o ama, o amor acabou". 

É tão fácil amar o igual, o legal, o bonito, o que nos agrada, mas amor mesmo, é aquele que resiste, ao tempo e se fortalece à medida em que você reconhece o outro como único, como humano, com suas qualidades e defeitos. É amar por  completo. Como com pais, irmãos, avós e tios, simplesmente amamos, não sabemos quando começou é nem os motivos, amamos e amamos por completo. 

Os votos foram terminados, um copilado de tudo o que já havia escrito antes, um memorial para que eu soubesse o que me levou ao altar e que não foram apenas as qualidades dele, mas a história que estamos construindo juntos.

Que o felizes para sempre passe devagar e que cada novo dia seja um novo memorial da aliança que firmamos.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

CONSTRANGIDO POR AMOR #BBZL



Sim, sou gay.

Sim sou cristão.

Na minha memória ambos, desde que me entendo por gente.
Vivi minha cristandade intensamente, era fervoroso, em algumas coisas fundamentalista.
Minha homossexualidade.
Escondi por 28 anos, até que me apaixonei pela primeira vez.
Deixei a igreja não por ter sido discriminado.
Embora tenha acontecido algumas vezes durante minha vida.
Já ouvi de "no meu altar ele não sobe" a "tem demônios".
Fui proibido de ser amigo e frequentar lugares.
Mas não sai com mágoas.
Sai por respeito.
Sou pastor. Meus pais, irmãos, tios, cunhados e avó lideres na igreja.
Não queria mais me esconder ou mentir, dizer que estava "esperando em Deus".
Mas também não queria afrontar ninguém.
Existem fracos na igreja.
Aprendi a amar ao ponto de não ser tropeço.
E já disse Paulo, o apóstolo, "no que depender de vós tende paz com todos"
E isso, procuro fazer ate hoje.

Me apaixonei.
Comecei a namorar.
Noivei. Ficou sério.

E neste meio tempo fui apresentado a uma comunidade cristã..
Mas exitei muito em ir a um culto.
Namorei a igreja por quase 2 anos.
Seguindo a igreja no twitter percebi um Deus que conhecia.
Mas não tinha ainda experimentado.

Ele me abominava por ser homossexual?
Não! Mas para alguns que o chamam de Deus e se sentem "eleitos" sim.

Cada eco de pregação ardia em meu coração.
Uma mensagem desinteressada em criar semi-deuses ou santos.
Que valoriza a humanidade a exemplo do Cristo.
Que se esvaziou da glória e se fez carne.

Tomei coragem e fui.
E cá estou há apenas um ano, mas que vale por toda a minha vida.

O que ela tem de diferente das outras?
Quase nada.
Repleta de conflitos, problemas e dificuldades.
Tudo muito parecido com a igreja de épocas anteriores.

Sei que tem gente que não aceita o fato de ter um casal homossexual frequentando a "sua" igreja.
Que deve torcer o nariz e falar pelas costas.
Ameaçar o pastor e os irmãos.
Mas o "atire a primeira pedra quem não tem pecados" ainda está valendo.
Então, baixem as armas.

Isso me incomoda?
Nem um pouco.
A graça de Deus é multiforme.
Nela não há nacionalidade, gênero, condição social.
Somos um e estamos em Cristo.
É na diversidade que a igreja acontece.
Na comunhão de amor entre os diferentes.

O que me incomoda?
O julgamento desumano que condena ao inferno.
A desistência do dialogo e a resistência ao entendimento.
A persistência em paradigmas e sofismas que desembocam na falta de amor.
Que causam morte em nome de um deus que não é o Cristo.
Pois Ele, morreu para dar vida com abundancia.

Porque ainda estou lá?
Pelo amor que tenho experimentado.
Pelo respeito que tenho vivenciado.
Por ser abraçado e abençoado.
Por ser visto como filho.
Por me sentar a mesa.
Por me sentir parte.
Por ter amigos.
Por ser amado.

Me casei.
Fui apoiado.
Encorajado.
Abençoado por vocês.

E acredito que sementes estão sendo plantadas.
Se colheremos ou não, isso convém a Deus determinar.
A nós compete, não esmorecer.
Mas nos mantermos firmes na fé.

A todos vocês meu amigos.
Sejam o verbo encarnado do discurso de vocês.
Não desistam.

Permaneçam sendo para nim, como o tanque chamado Betesda.
A casa onde encontro misericórdia.
O abraço apertado que cura, consola e encoraja.

Obrigado.
Com amor.

terça-feira, 7 de abril de 2015

QUEM SÃO AS VITIMAS?

Quem é que gosta de pessoas que se vitimizam?

Tudo o que acontece a sua volta, é o universo conspirando contra ela. 
Ninguém pode ter uma atitude espontânea como gargalhar, que já acham que estão rindo dela, 
Se cochicham algo, estão falando dela, se param de falar, é porque o assunto era ela. 
Quando contam-lhe uma situação complicada, tem milhares de outras mais complicadas e horríveis.


Pessoas assim, necessitam estar no centro das atenções, são carentes, e sofrem da síndrome persecutória. Por estarem sempre reclamando, tornam-se chatas e incomodas.

Evitemos pessoas assim, dizem os gurus da auto-ajuda.e alguns religiosos.
Elas são responsáveis por sugar nossas energias, nossa disposição e alegria.
São capazes de paralisar nosso crescimento e prosperidade.

Entretanto, há outro tipo de pessoa, e estas são melhores aceitas. 
Há uma cultura instituída por meio delas, são formadoras de opinião e bem articuladas.
Adoradas por seu espirito investigativo.

Fingem desviar a atenção de si mesmas usando de engodo.
Buscam o culpado para qualquer tipo de situação, com a finalidade de  manter as coisas como estão. Não querem solução, querem encontrar quem causou o "seu problema".mesmo que ele não exista. Querem tirar de si qualquer responsabilidade, seja ela qual for.

No fundo, dois lados da mesma moeda.
Tanto os que se vitimizam quanto os que procuram culpados, querem ser o centro das atenções. São idiotas no sentido etimológico da palavra.

Quantas oportunidades a igreja tem perdido enquanto busca pelos "culpados".
Na ânsia pela manutenção de um status que já foi abolido pelo próprio Cristo, não abre mão de se vitimizar, demonizando situações, criando infernos para aqueles aos quais Cristo morreu.

Negros são culpados, sofreram e sofrem por serem descendentes diretos de Cam.
A escravidão foi cumprimento a profecia de Noé, homem de Deus.
Seus reflexos são sentidos ainda hoje por sua plena maioria: são os mais pobres, moram em favelas, são maioria nas cadeias, tem pouco ou nenhum acesso a estudo, são marginalizados e mau vistos na sociedade.

Mulheres, culpadas, sofrem as dores do parto, pois foram as responsáveis pela queda da humanidade. Não devem possuir direitos, nem mesmo por seu próprio corpo. Não podem ter voz, não podem votar, não podem trabalhar fora e nem ganhar mais que os homens. É o sexo frágil, por isso devem ser violadas, assediadas sem direito a defesa. Qualquer xingamento aos homens deve ter conotação feminina, pois já viu humilhação maior que ser mulher?

Homossexuais, culpado, foram amaldiçoados pelo próprio Deus, são abomináveis.
São os culpados por todas as catástrofes naturais existentes. Culpados pela destruição de Sodoma e Gomorra e da família tradicional. Assim como os eunucos, devem servir apenas para vestir e cuidar da beleza das mulheres, mantendo assim a cabeça de seus maridos em segurança. Também podem servir de puta para a iniciação sexual dos filhos dos héteros e prazer de alguns que não se decidiram ainda,

Em determinada jornada,  Jesus avistou um cego de nascença. 
Seus discípulos o questionaram: Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus disse: Vocês estão fazendo a pergunta errada, procurando a quem culpar. Não há nenhuma relação de causa e efeito aqui. Em vez disso, olhem para o que Deus pode fazer. Trabalhem enquanto é dia, pois a noite chega e o expediente acaba.

Eis a oportunidade de fazer o bem.
Oportunidade de manifestarem o Cristo ressurreto.
Oportunidade de partir o pão e dividir as vestes.
Oportunidades de pregar o Reno de Deus e sua justiça, paz e alegria.
Oportunidades de "curar o cego" inclusive os da própria igreja.

Mas preferimos procurar os culpados e nos vitimizar.
O expediente pode acabar, a noite pode chegar.
E não descobrimos quem são as vitimas.

sábado, 14 de março de 2015

APENAS DIFERENTES

Sim, somos diferentes.
Apesar das semelhanças, ainda assim, completamente diferentes.
Todos nós, sem exceção e a ciência já explicou isso.

Somos todos diferentes.
Entretanto, teimamos em excluir o que é diferente de nós.

Somos todos excluídos?
Não.

São excluídos apenas aqueles que não se adequam à cultura criada pelos diferentes.
Uma minoria de diferentes, não quer ser apenas semelhantes, querem ser iguais.
E consideram diferentes, apenas a minoria dos semelhantes que querem manter suas diferenças.
E conseguiram convencer a maioria de nós.

Onde está a beleza do homem e o poder de Deus senão no fato de sermos todos únicos?
Semelhantes sim, e completamente diferentes, ÚNICOS.
A diferença é que....

Mulheres foram marginalizadas por serem mulheres.
Mulheres são marginalizadas por serem frágeis e sentimentais.
Mulheres são marginalizadas por serem fortes e racionais.
Mulheres são marginalizadas por buscarem igualdade.
Mulheres são marginalizadas quando querem ser "donas do lar".
Mulheres morrem por serem mulheres.

Negros foram marginalizados por serem negros.
Negros foram marginalizados, escravizados, tinham que trabalhar.
Negros são marginalizados por terem cabelo "ruim".
Negros são marginalizados por alisarem seus cabelos, negando suas origens.
Negros são marginalizados por cotas que os possibilitam trabalhar.
Negros morrem por serem negros.

Homossexuais foram marginalizados por serem homossexuais.
Homossexuais são marginalizados por serem homossexuais.
Homossexuais são marginalizados por outros homossexuais,
Homossexuais morrem por serem homossexuais.

Homens nunca foram marginalizados por serem homens.
Homens se sentem superiores por serem homens.
Homens cultuam privilégios que acreditam possuir apenas por serem homens.
Homens matam por serem homens.

Homens não morrem por serem homens.
São os homens todos iguais?


domingo, 22 de fevereiro de 2015

AOS PADRINHOS



Obrigado por aceitar, por permanecer e apoiar.
Obrigado por momentos que eram seus e não hesitou em conosco compartilhar.
Obrigado por servir de ombro e abraço para alguns de nossos desabafos.
Obrigado pelos conselhos, com o objetivo de não sofrermos e não causarmos sofrimento em quem amamos.
Obrigado por celebrar conosco cada uma de nossas conquistas.
Obrigado por nos defender em segredo.

Infelizmente alguns padrinhos são escolhidos por aquilo que podem dar, mas nós, com alegria escolhemos "você" por aquilo que já nos deu.

Obrigado por seu amor.

Davi & Wagner
Fevereiro, 2015

O BOM CASAL GAY

E numa tarde de domingo, vários pastores e líderes evangélicos e católicos, também apoiados pela ala “cristã” da Câmara e do Senado, encostaram Jesus na parede e lhe fizeram a pergunta crucial: Diga-nos logo quem são aqueles que fazem a Tua vontade e amam o próximo segundo a Tua verdade?
E Jesus então lhes contou uma história:
Um bebê foi abandonado por seus pais num valão que ficava entre duas igrejas: uma catedral católica, tradicional na cidade por sua beleza e imponência arquitetônica e um mega-templo evangélico, repleto de carros do ano à porta, cujo pastor ostentava seus muitos dotes financeiros em ternos de corte impecável e carros importados de causar inveja aos maiores empresários da cidade.
O pastor e sua esposa iam para o culto e ao pararem num sinal de trânsito perceberam o bebê jogado no valão, abriram o vidro blindado do seu carro e ouviram o choro da criança. Repreenderam o demônio que havia na “mãe tão desnaturada” que havia abandonado a criança ali, e já pensaram em organizar a Marcha Profética pelo fim do abandono de crianças. No entanto, devido às muitas viagens “em nome de Deus” e também do gasto que já tinham de condomínio e manutenção dos carros importados, não poderiam assumir o risco de levarem aquela criança pra casa, pois além dos gastos que lhe trariam, não sabiam sua procedência e se havia sobre ela qualquer espécie de maldição.
O sinal abriu, e partiram, orando por aquela situação.
Logo depois, no mesmo sinal passou um casal de católicos fervorosos. Há 20 anos lideravam movimentos de Encontros de Casais com Cristo, além do marido ser atuante nos Cursilhos de Cristandade. Viram aquela cena e choraram ao ouvirem o choro da criança abandonada. Falaram sobre as diversas Campanhas da Fraternidade, de como aquele quadro deveria ser mudado, perguntaram entre si pela turma da Teologia da Libertação, que não aparecia naquela hora e lamentaram não poder levar o bebê, devido ao fato de já terem gastos excessivos com seus cães labradores, ganhadores de concursos regionais. Mas saíram dali dispostos a participarem da próxima Marcha pela Família, organizados pelos setores de defesa da vida da sua igreja.
Já no fim da tarde, passava por ali dois rapazes, que comemoravam a recente decisão do STF em favor da união civil homoafetiva. Brindavam o fato de poderem legalizar a sua situação, já que há 8 anos viviam juntos. Mesmo em meio à música alta que tocava no carro, ouviram um choro ao longe, ao pararem no sinal vermelho. Abaixaram o som e viram a criança que soluçava e já quase não tinha forças, abandonada ali ao relento, desde a manhã...
Choraram muito. Pararam o carro, desceram e pegaram o pequenino no colo. Seus corações arderam de amor por aquela vida tão frágil e indefesa que decidiram leva-la para o apartamento em que moravam, que passava por uma reforma, e decidiram deixar para depois a conclusão da sala-de-estar e transformaram o espaço no quarto do bebê. Deram-lhe o nome de Daniel, que um dos dois lembrara significar “Deus é meu juiz”, e o bebê agora sorria, ao tomar seu primeiro banho, nos braços dos seus novos pais...
E Jesus, encarando os olhares furiosos daqueles que estavam ali lutando pela honra da família cristã, perguntou:
- Qual destes casais provocou um sorriso de aprovação na face amigável de Deus?

Texto de José Barbosa Junior
Publicado com autorização do autor.
Inspirado na parábola do bom samaritano e no texto “O Bom Travesti”, de Rubem Alves


sábado, 27 de dezembro de 2014

A AFRICA É LOGO AQUI

Segundo o Apostolo Tiago, "a verdadeira religião, que agrada a Deus, o Pai, é esta: cuidem dos necessitados e desamparados que sofrem [...]"outra tradução diz que é "visitar os órfãos e as viúvas em suas necessidades" - Epístola de Tiago 1:26-27.

Uma das minhas criticas à igreja é sua capacidade de enriquecer e de deixar de lado os seus pobres. Infelizmente o que mais vemos são instituições que gastam muitos milhões dos dízimos e ofertas recolhidos, com programas que nada tem a ver com a manifestação do Reino de Deus. Gasta-se muito para estar no radio, na TV, com grandes eventos tidos como evangelísticos, mas que não tem foco nenhum na melhoria do mundo e da sociedade. Suas campanhas de milagres-marketing chamam a atenção das massas, porém pouquíssimas coisas são realizadas para auxiliar os que sofrem. Sem contar no abuso de pregações ofensivas àqueles que não tem com que "pagar" os dízimos e ofertas, pois correm o risco de não ter o pão diário, mas que persuadidos pela "fé" ou "necessidade" acabam entregado tudo o que tem pelo medo de serem amaldiçoados por um deus que barganha seus favores. 

Porém, quando falo de igreja, não digo apenas da igreja institucionalizada, falo também e muito mais da igreja individuo, eu e você, que oramos pedindo prosperidade para gastar com aquilo que não é pão, e por isso é indivisível. O corpo de Cristo se amoldou demais a instituição, nos tornamos individualistas, suficientes em nós mesmos. A graça que nos bastava foi trocada pela prosperidade deste mundo. Cantamos pedindo "preciso de uma benção não vou desistir, sem ela eu não vou sair daqui" e em contra partida o Espirito nos diz: "esqueçam-se de vocês o suficiente para estender as mãos e ajudar" [Filipenses 2:4].

Realmente não há nada novo debaixo do sol, continuamos a praticar os mesmos erros, tentando passar um camelo pelo buraco da agulha, e não observando a simplicidade do evangelho.

Ficamos extasiados ao ouvir os milagres realizados em regiões inóspitas onde missionários quase sem nenhum auxilio vivenciam por amor ao Evangelho. Choramos e clamamos por arrependimento devido a nossa omissão e entregamos alguma quantia de dinheiro para auxilia-los, e após a benção final do culto, já esquecemos. 

Não nos damos conta que a Africa é logo aqui: aqui nas prisões, nos bairros periféricos, na cracolândia, nos orfanatos e casas de repousos. Aqui onde pessoas amadas por Jesus foram abandonadas por seus familiares e esquecidos pela sociedade. Aqui onde pela correria do dia-dia damos a desculpa de não conseguirmos visitar. Aqui onde a troca maior não será a financeira, mas a de amor e afeto. Aqui onde Cristo é manifesto nos seus pequeninos.

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Esta semana visitei com os jovens da igreja um abrigo para crianças abandonadas e em situação de risco, que o grupo adota há alguns anos. Eu sempre era impedido ou dava a desculpa de ter um outro afazer mais importante ou urgente, mesmo que fosse apenas "limpar a casa". Eu que há uns 10 anos, "sentia" de Deus o chamado para fazer missões na Africa, uma desculpa criada para fugir de mim mesmo. Mas após uma revolução na minha vida, fui enviado para outra Africa.

Minha Africa é uma comunidade chamada Betesda, que embora tenha problemas e defeitos, se preocupa mesmo que timidamente com a comunidade de Jesus dentro e fora dos templos. Uma comunidade que está quebrando seus próprios paradigmas e paradigmas antigos da religião para viver o amor genuíno de Jesus. Uma comunidade que prega e busca viver o "Unbutu" embora com muitas dores. Uma comunidade Africa que busca outras Africas. 

Particularmente foi um desafio à "viver o que prego" e um resgate ao chamado para mais uma vez "me" encontrar NEle.

* Unbutu, é uma filosofia africana das tribos de língua Zulu e Xhosa que determina a capacidade humana de compreender, aceitar e tratar bem o outro, Exprime a consciência da relação entre o individuo e a comunidade, isto é, trata-se do individuo buscando o seu melhor de maneira que a comunidade também se desenvolva. Portanto o conceito exprime a crença na comunhão que conecta toda a humanidade: "Sou o que sou graças ao que somos todos nós".