Pages

sábado, 14 de março de 2015

APENAS DIFERENTES

Sim, somos diferentes.
Apesar das semelhanças, ainda assim, completamente diferentes.
Todos nós, sem exceção e a ciência já explicou isso.

Somos todos diferentes.
Entretanto, teimamos em excluir o que é diferente de nós.

Somos todos excluídos?
Não.

São excluídos apenas aqueles que não se adequam à cultura criada pelos diferentes.
Uma minoria de diferentes, não quer ser apenas semelhantes, querem ser iguais.
E consideram diferentes, apenas a minoria dos semelhantes que querem manter suas diferenças.
E conseguiram convencer a maioria de nós.

Onde está a beleza do homem e o poder de Deus senão no fato de sermos todos únicos?
Semelhantes sim, e completamente diferentes, ÚNICOS.
A diferença é que....

Mulheres foram marginalizadas por serem mulheres.
Mulheres são marginalizadas por serem frágeis e sentimentais.
Mulheres são marginalizadas por serem fortes e racionais.
Mulheres são marginalizadas por buscarem igualdade.
Mulheres são marginalizadas quando querem ser "donas do lar".
Mulheres morrem por serem mulheres.

Negros foram marginalizados por serem negros.
Negros foram marginalizados, escravizados, tinham que trabalhar.
Negros são marginalizados por terem cabelo "ruim".
Negros são marginalizados por alisarem seus cabelos, negando suas origens.
Negros são marginalizados por cotas que os possibilitam trabalhar.
Negros morrem por serem negros.

Homossexuais foram marginalizados por serem homossexuais.
Homossexuais são marginalizados por serem homossexuais.
Homossexuais são marginalizados por outros homossexuais,
Homossexuais morrem por serem homossexuais.

Homens nunca foram marginalizados por serem homens.
Homens se sentem superiores por serem homens.
Homens cultuam privilégios que acreditam possuir apenas por serem homens.
Homens matam por serem homens.

Homens não morrem por serem homens.
São os homens todos iguais?


domingo, 22 de fevereiro de 2015

AOS PADRINHOS



Obrigado por aceitar, por permanecer e apoiar.
Obrigado por momentos que eram seus e não hesitou em conosco compartilhar.
Obrigado por servir de ombro e abraço para alguns de nossos desabafos.
Obrigado pelos conselhos, com o objetivo de não sofrermos e não causarmos sofrimento em quem amamos.
Obrigado por celebrar conosco cada uma de nossas conquistas.
Obrigado por nos defender em segredo.

Infelizmente alguns padrinhos são escolhidos por aquilo que podem dar, mas nós, com alegria escolhemos "você" por aquilo que já nos deu.

Obrigado por seu amor.

Davi & Wagner
Fevereiro, 2015

O BOM CASAL GAY

E numa tarde de domingo, vários pastores e líderes evangélicos e católicos, também apoiados pela ala “cristã” da Câmara e do Senado, encostaram Jesus na parede e lhe fizeram a pergunta crucial: Diga-nos logo quem são aqueles que fazem a Tua vontade e amam o próximo segundo a Tua verdade?
E Jesus então lhes contou uma história:
Um bebê foi abandonado por seus pais num valão que ficava entre duas igrejas: uma catedral católica, tradicional na cidade por sua beleza e imponência arquitetônica e um mega-templo evangélico, repleto de carros do ano à porta, cujo pastor ostentava seus muitos dotes financeiros em ternos de corte impecável e carros importados de causar inveja aos maiores empresários da cidade.
O pastor e sua esposa iam para o culto e ao pararem num sinal de trânsito perceberam o bebê jogado no valão, abriram o vidro blindado do seu carro e ouviram o choro da criança. Repreenderam o demônio que havia na “mãe tão desnaturada” que havia abandonado a criança ali, e já pensaram em organizar a Marcha Profética pelo fim do abandono de crianças. No entanto, devido às muitas viagens “em nome de Deus” e também do gasto que já tinham de condomínio e manutenção dos carros importados, não poderiam assumir o risco de levarem aquela criança pra casa, pois além dos gastos que lhe trariam, não sabiam sua procedência e se havia sobre ela qualquer espécie de maldição.
O sinal abriu, e partiram, orando por aquela situação.
Logo depois, no mesmo sinal passou um casal de católicos fervorosos. Há 20 anos lideravam movimentos de Encontros de Casais com Cristo, além do marido ser atuante nos Cursilhos de Cristandade. Viram aquela cena e choraram ao ouvirem o choro da criança abandonada. Falaram sobre as diversas Campanhas da Fraternidade, de como aquele quadro deveria ser mudado, perguntaram entre si pela turma da Teologia da Libertação, que não aparecia naquela hora e lamentaram não poder levar o bebê, devido ao fato de já terem gastos excessivos com seus cães labradores, ganhadores de concursos regionais. Mas saíram dali dispostos a participarem da próxima Marcha pela Família, organizados pelos setores de defesa da vida da sua igreja.
Já no fim da tarde, passava por ali dois rapazes, que comemoravam a recente decisão do STF em favor da união civil homoafetiva. Brindavam o fato de poderem legalizar a sua situação, já que há 8 anos viviam juntos. Mesmo em meio à música alta que tocava no carro, ouviram um choro ao longe, ao pararem no sinal vermelho. Abaixaram o som e viram a criança que soluçava e já quase não tinha forças, abandonada ali ao relento, desde a manhã...
Choraram muito. Pararam o carro, desceram e pegaram o pequenino no colo. Seus corações arderam de amor por aquela vida tão frágil e indefesa que decidiram leva-la para o apartamento em que moravam, que passava por uma reforma, e decidiram deixar para depois a conclusão da sala-de-estar e transformaram o espaço no quarto do bebê. Deram-lhe o nome de Daniel, que um dos dois lembrara significar “Deus é meu juiz”, e o bebê agora sorria, ao tomar seu primeiro banho, nos braços dos seus novos pais...
E Jesus, encarando os olhares furiosos daqueles que estavam ali lutando pela honra da família cristã, perguntou:
- Qual destes casais provocou um sorriso de aprovação na face amigável de Deus?

Texto de José Barbosa Junior
Publicado com autorização do autor.
Inspirado na parábola do bom samaritano e no texto “O Bom Travesti”, de Rubem Alves


sábado, 27 de dezembro de 2014

A AFRICA É LOGO AQUI

Segundo o Apostolo Tiago, "a verdadeira religião, que agrada a Deus, o Pai, é esta: cuidem dos necessitados e desamparados que sofrem [...]"outra tradução diz que é "visitar os órfãos e as viúvas em suas necessidades" - Epístola de Tiago 1:26-27.

Uma das minhas criticas à igreja é sua capacidade de enriquecer e de deixar de lado os seus pobres. Infelizmente o que mais vemos são instituições que gastam muitos milhões dos dízimos e ofertas recolhidos, com programas que nada tem a ver com a manifestação do Reino de Deus. Gasta-se muito para estar no radio, na TV, com grandes eventos tidos como evangelísticos, mas que não tem foco nenhum na melhoria do mundo e da sociedade. Suas campanhas de milagres-marketing chamam a atenção das massas, porém pouquíssimas coisas são realizadas para auxiliar os que sofrem. Sem contar no abuso de pregações ofensivas àqueles que não tem com que "pagar" os dízimos e ofertas, pois correm o risco de não ter o pão diário, mas que persuadidos pela "fé" ou "necessidade" acabam entregado tudo o que tem pelo medo de serem amaldiçoados por um deus que barganha seus favores. 

Porém, quando falo de igreja, não digo apenas da igreja institucionalizada, falo também e muito mais da igreja individuo, eu e você, que oramos pedindo prosperidade para gastar com aquilo que não é pão, e por isso é indivisível. O corpo de Cristo se amoldou demais a instituição, nos tornamos individualistas, suficientes em nós mesmos. A graça que nos bastava foi trocada pela prosperidade deste mundo. Cantamos pedindo "preciso de uma benção não vou desistir, sem ela eu não vou sair daqui" e em contra partida o Espirito nos diz: "esqueçam-se de vocês o suficiente para estender as mãos e ajudar" [Filipenses 2:4].

Realmente não há nada novo debaixo do sol, continuamos a praticar os mesmos erros, tentando passar um camelo pelo buraco da agulha, e não observando a simplicidade do evangelho.

Ficamos extasiados ao ouvir os milagres realizados em regiões inóspitas onde missionários quase sem nenhum auxilio vivenciam por amor ao Evangelho. Choramos e clamamos por arrependimento devido a nossa omissão e entregamos alguma quantia de dinheiro para auxilia-los, e após a benção final do culto, já esquecemos. 

Não nos damos conta que a Africa é logo aqui: aqui nas prisões, nos bairros periféricos, na cracolândia, nos orfanatos e casas de repousos. Aqui onde pessoas amadas por Jesus foram abandonadas por seus familiares e esquecidos pela sociedade. Aqui onde pela correria do dia-dia damos a desculpa de não conseguirmos visitar. Aqui onde a troca maior não será a financeira, mas a de amor e afeto. Aqui onde Cristo é manifesto nos seus pequeninos.

____________________________________________________________________________

Esta semana visitei com os jovens da igreja um abrigo para crianças abandonadas e em situação de risco, que o grupo adota há alguns anos. Eu sempre era impedido ou dava a desculpa de ter um outro afazer mais importante ou urgente, mesmo que fosse apenas "limpar a casa". Eu que há uns 10 anos, "sentia" de Deus o chamado para fazer missões na Africa, uma desculpa criada para fugir de mim mesmo. Mas após uma revolução na minha vida, fui enviado para outra Africa.

Minha Africa é uma comunidade chamada Betesda, que embora tenha problemas e defeitos, se preocupa mesmo que timidamente com a comunidade de Jesus dentro e fora dos templos. Uma comunidade que está quebrando seus próprios paradigmas e paradigmas antigos da religião para viver o amor genuíno de Jesus. Uma comunidade que prega e busca viver o "Unbutu" embora com muitas dores. Uma comunidade Africa que busca outras Africas. 

Particularmente foi um desafio à "viver o que prego" e um resgate ao chamado para mais uma vez "me" encontrar NEle.

* Unbutu, é uma filosofia africana das tribos de língua Zulu e Xhosa que determina a capacidade humana de compreender, aceitar e tratar bem o outro, Exprime a consciência da relação entre o individuo e a comunidade, isto é, trata-se do individuo buscando o seu melhor de maneira que a comunidade também se desenvolva. Portanto o conceito exprime a crença na comunhão que conecta toda a humanidade: "Sou o que sou graças ao que somos todos nós".

sábado, 4 de outubro de 2014

ESCATOLOGIA

Alguém ai sabe me responder quando foi que os cristãos deixaram de acreditar na escatologia bíblica, isto é, no fim do mundo?

Lembro me que a não pouco tempo atrás, anos 80 e meados dos 90, que as séries de livros "Deixados para trás" e "Este mundo tenebroso" faziam grande sucesso nos círculos pentecostais e neo pentecostais. Havia gente, inclusive, acreditando que os livros de ficção [que isso fique muito claro] eram o retrato fiel do que acontecerá no final dos tempos. |Mas como declara a própria Bíblia, o "amor de muitos se esfriaria", e olha só no que deu, nem se ouve mais falar a respeito, e o pior nem mesmo dentro das igrejas.

Perceba que o discurso do fim do mundo foi radicalmente trocado pelo discurso triunfalista de vitória financeira, prosperidade e uma vida abundante aqui e agora. Descobrimos que somos apostólicos e que "nascemos para vencer e reinar em vida" - e a esperança tão linda de um paraíso pós morte ou arrebatamento foi sendo esquecidas por esta nova geração. 

Mas que mau há nisso?

Os cristãos de até duas décadas, não se preocupavam tanto com as coisas desta vida, eramos orientados a "buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça", até porque "o amor ao mundo é inimizade contra Deus", sendo assim, estar na politica, se preocupar com o meio-ambiente, observar e atuar em causas sociais, ter uma boa formação acadêmica e outras coisas relacionadas a esta vida, eram considerados muitas vezes pecado. O importante mesmo, para o cristão sério e temente a Deus, era "buscar uma vida de santidade, separada dos prazeres e da sabedoria deste mundo", pois "Cristo estava a porta", e por que "ninguém sabia o dia de sua volta" sendo assim "precisávamos estar vigilantes e preparados e não enrolados com coisas deste mundo".

O lado positivo, é que temos hoje uma geração, que de certa forma, conquistou um espaço importante na sociedade, deixamos de ser vistos como alienados, feios, ignorantes, saímos da posição de minoria para termos um papel importante até mesmo em decisões politicas do país. Mas infelizmente o lado negativo e inversamente desproporcional a tudo o que foi conquistado e abafa as vozes de quem realmente está interessado em estabelecer um Reino de amor e justiça para todos.

Na ânsia e no falso entendimento a respeito de "reinar em vida" e do papel da igreja no estabelecimento do Reino na terra, alguns poucos porém barulhentos cristãos, se auto proclamaram vozes de Deus e do povo e passaram a legislar  e impor sua verdade [de fé], em assuntos que dizem respeito apenas ao âmbito da consciência pessoal e livre arbítrio, a todos, inclusive aos não cristãos.

Sendo explicito, não entendo o medo que estes, possuem da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da legalização do aborto, se a interpretação que expressam da Bíblia é que "os efeminados, sodomitas e assassinos, não herdarão o reino de Deus."

Quando esqueceram que a estes está sendo reservado o lado de fogo e enxofre?
Não sabem mais como "ensinar a criança no caminho que deve andar, para que quando for adulto não se desvie"
Porque se preocupar e lutar com tanto afinco para a não aprovação desta lei se a Bíblia diz que "os que estão limpos se limpem mais e aos que está sujo, se suje um pouco mais, pois o mundo jaz no maligno"?
Será que deixaram de acreditar no apocalipse? 
Deixaram de acreditar que "Deus zela pela sua palavra para a cumprir"
Estão querendo retardar ou impedir a volta de Jesus?

Ou, eu que estou muito errado em minha percepção, e todo este engajamento, é para livrar os homossexuais, as mulheres que abortam do fogo do inferno?

Se é isto, creio eu, e quase todo o mundo, que estão agindo da maneira errada.

Deviam seguir o exemplo de Jesus que a despeito  do senso comum religioso de sua época, que consistia em criticar, julgar, excluir, menosprezar, ridicularizar, e muitos outro males, incluindo matar, fez o inverso e amou, acolheu, tratou, incluiu, valorizou, respeitou e ressuscitou, 

Poderiam permitir que o "Espirito Santos convença a cada um do pecado, da justiça e do juízo" e que "aquele que começou a boa obra a aperfeiçoe e complete até o dia de Cristo".

Porque não o fazem?

A resposta é, que para que isto aconteça, terão que abrir as portas de suas igrejas para àqueles que "aparentemente" querem exterminar, colocando em risco a congregação de "santos, perfeitos e arianos" que querem estabelecer.

E como são obedientes a Bíblia em primeiro lugar, estarão contra as ordens do seu deus, que não faço ideia de quem é, ou melhor, até faço, pois tudo o que é contrario às boas novas de Jesus, é do anti-cristo.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

QUEM É DEUS, AFINAL?

Mais uma vez surpreendido por Rob Bell e sua forma diferente de enxergar Deus.
 
Em "What we talk about when we talk about God" com tradução livre "O que falamos, quando falamos sobre Deus", mas traduzido como "Quem é Deus, afinal?" o polemico autor de O amor Vence nos mostra de forma fascinante o porquê Deus é o mesmo ontem, hoje e será sempre.

Quem já assistiu a série "Everything is Spiritual" tem um pequeno vislumbre do que nos aguarda logo nos primeiros capítulos do livro, Com argumentos que vão da filosofia à física quântica, Bell vai descortinando sua visão sobre Deus, desconstruindo a visão ultrapassada da religião e refazendo alicerces através dos ensinamentos de Jesus.

O objetivo primário do livro é mostrar que Deus não é coisa do passado, que ele é para o agora, para  já e para o amanhã, que Ele não está contra a ciência, mas que a ciência esta para comprovar suas maravilhas, e que a despeito do que você acredite, ele está para, por e com você.

Rob Bell não tem interesse em desfazer a fé ou os ensinamentos antigos, mas sim, em revelar que Deus sempre esteve à frente de nós, que suas palavras sempre apontaram para um outro tempo, pois Deus em sua ciência, vislumbrou algo melhor e mais humano. Desde os remotos tempos do velho testamento, suas leis, por mais absurdas que nos pareçam hoje, tiveram um tom revolucionário para a época, a fim de humanizar seu povo, fazendo-os precursores de uma nova cultura, onde reinaria a justiça. Infelizmente, eles não entenderam e mutos de nós ainda também não.
 
E este Deus não mudou, e ainda hoje convida seus filhos a serem precursores de um novo tempo, em favor de todos os seus filhos na terra, por meio do amor.


Recomendo a leitura.


domingo, 3 de agosto de 2014

MEU CRIME: HUMANIZAR E AMAR

Nasci em uma cidade pequena, cidadezinha do interior. Pequena, mas não desconhecida. Diziam: "de lá, não vem nada de bom!" Para piorar as coisas, minha mãe me concebeu antes de se casar. Mãe solteira, que vergonha! O que fez mamãe fugir para casa de parentes distantes durante a gravidez.

Mas fugia de que?!  Olhares maldosos, palavras felinas, pedras, que parentes, amigos e vizinhos poderiam lhe atirar. Mamãe só retornou à nossa cidade, quando papai resolveu se casar. Ele demorou a se decidir, era comerciante conhecido, teve medo que a má fama prejudicassem os negócios.

Já nasci sentenciado, um filho de ninguém. Um filho só de mãe.

Meu nascimento foi estranho, nasci em meio a uma viagem. Casas, hotéis, ninguém pode nos abrigar. As cidades estavam cheias. Por pouco mamãe não deu à luz na rua.

Eu me sentia estranho. Desde a minha chegada tudo mudou. Vivíamos fugindo, com medo, escondidos. Nem me lembro quando voltamos a nossa cidade.

Vivi a minha infância, adolescência e juventude como uma criança normal. Seria mais normal se mamãe não guardasse tanto cuidado comigo. O que faziam com que eu fosse motivo de piadas entre colegas. Com poucos amigos, me restavam os mendigos e os doentes daquela pequena cidade, este sim sabiam viver. Embora excluídos e abandonados não perdiam a força de vontade. Um dia após o outro, e a vida era vencida.

Me apeguei a religião como forma de amenizar a dor e o deslocamento social que sentia. Estudava tanto, que podia debater com um professor. Embora autodidata, me viam como inferior.

Por reconhecer a dor da existência, minhas palavras atingiam a alma. Então os cansados e sobrecarregados passaram a me procurar. Nos montes e nas praias ficou difícil me ocultar. O filho do comerciante, amigo de pecadores e prostitutas, comilão e bebedor de vinho, que anda com doentes e excluídos. Isso sim era fama, da inexistência a existência, a vida começou a mudar. 

Na religião que outrora me preenchia, a inveja começou brotar. Da multidão, amores, desejos, milagres, perseguição. Pelos que me procuravam como Rei, do dia para a noite, fui declarado ladrão.

Crucifica, crucifica, aclamaram com paixão. Fizeram da morte minha amiga e para o mundo a solução. E todo o temor que rondou a minha vida agora se apoderava de minha alma. Me senti sozinho, sem rumo, sem razão, sem Deus,

Caminhei por algumas horas carregando o peso de toda minha vida, e sentia também o peso de todo o mundo, principalmente daqueles que sem causa me odiaram. Eu, um simples homem, sem atrativo ou formosura, contado com os rejeitados, feitos amigo dos marginalizados, e por isso castigado.

Meu crime: "Me humanizar e amar".