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domingo, 9 de agosto de 2015

DIGA SIM À VIDA

Dona de uma vida repleta de experiencias, quem já ouviu Silvia Geruza palestrando, se encanta com seu jeito simples e alegre de falar, mesmo quando fala de momentos desafiadores, complicados ou cheios de dor. E assim também é a palestra de lançamento do livro "Diga Sim à Vida" um retalho de experiencias que agora refletidas deram origem ao livro.

Tive a grata alegria de ouvi-la no lançamento realizado na Betesda Zona Leste. Ouvi-la falar e ler o livro me proporcionou duas sensações:

1ª. Quem a ouve, tem a impressão de estar com uma amiga, em casa, em uma roda de conversa num sábado à tarde, regada a vinho e alguns petiscos. O tema: a vida, sua beleza, seus problemas e como aproveitá-la. Neste momento, risos, algumas gargalhadas, comentários mais íntimos, sonhos e desejos não são proibidos. Não se expor e algumas vezes se ridicularizar está fora de cogitação, pois em roda de amigos verdadeiros vale tudo, exceto teorias e filosofias enlatadas. É a leveza de quem não sofreu e não sofre com a vida, mas soube experimentar inclusive momentos de dor ou luto, reconhecendo neles cada aprendizado. Ouvir Silvia Geruza é uma benção. 

2ª. Embora o livro possa ser classificado como auto-ajuda, sabiamente esta escrito no prefácio que o livro "não é um manual de xis passos para alcançar a felicidade" mas sim um convite para que você protagonize a sua vida dando a elas tantos sentidos você puder. Em cada pagina me sentia como que sentado em uma varanda, olhando o por do sol e sendo aconselhado por minha avó, conselhos de amor, sabedoria e cuidado, não formulas obsoletas ou utopias de gente amargurada com uma vida vazia. Sinto que tenha faltado apenas o cafuné, que minha vozinha adora fazer nos meu cabelos.

Mesmo que o livro tenha uma conotação feminina, seus conselhos são universais, conselhos experimentados no chão da vida, no dia a dia de quem é mãe, esposa, profissional, e não vive a utopia de criar passos mágicos para alcançar a felicidade. E esta é a diferença do livro, a verdade de quem fala com propriedade do que experimentou, em relação a quem fala do que outros viveram e querem fazer disso mantra em busca de sentido para a própria vida, ou melhor, fazer disto, um pote de dinheiro fácil.

Recomendo a leitura!!

Diga Sim à Vida
Silvia Geruza Rodrigues
Ed. Doxa e Fonte Editorial, 2015
88 páginas

domingo, 5 de julho de 2015

FRAGMENTOS DO CAMINHO

"Quero trazer a memória, aquilo que pode me trazer esperança" disse o profeta.

Há quem diga que a vida só faz sentido, quando estamos em momentos ruins. Nestes momentos percebemos o quanto a vida é maravilhosa e, o quanto a desperdiçamos com coisas sem sentido em detrimento de coisas que realmente nos fazem felizes.

Sentido para a vida é o que todos buscamos. Mas não há como ter sentido, sem nunca ter sentido.

É analisando o nosso passado, revivendo bons e maus momentos, experimentando de novo, sentimentos e emoções trazidos à superfície por meio de um cheiro, um sabor, um som, uma imagem, um toque, isto é, vasculhando aquilo que nossa memória sinalizou como importante, que percebemos o que para nós faz realmente sentido. E assim, podemos encontrar o sentido para a nossa existência, esperança para prosseguir e motivação para continuar o caminho.

Quem não tem memórias, não viveu.
Quem não tem saudades da infância, não brincou.
Quem não sente as ausências, nunca amou de verdade.
E porque viver dói, mas é maravilhoso, que Otacilio Pontes escreveu "Fragmentos do Caminho".

Mais que um livro de memórias, Fragmentos do Caminho é um livro que desvenda o coração de um homem que encontrou nas coisas simples da vida, um sentido para sua espiritualidade, o AMOR.

Mas quem é Otacilio Pontes?
Um pastor querido por muitos, para mim, até então desconhecido, mas que me abraçou por longos minutos, e sem dizer uma palavra, transmitiu toda força e apoio que precisava, e que não encontrei entre os meus. Um amigo que num canto, baixinho, me aconselhou e abençoou meu casamento. Otacilio para mim, é uma expressão de amor e zelo de Deus.

Mas que será Otacilio para você?
Esta pergunta só poderá ser respondida a medida que você folhear este livro.
Memórias, alegrias, saudades, dores e tristezas, seu coração está em cada frase, em cada pausa e em cada reticencia.

Não tem como em muitos capítulos, segurar o nó que se forma na garganta e as lágrimas que brotam incontroláveis nos olhos. Você se inunda das Otacilices, do que move o coração dele, e quando percebe, entre pausas e reticencias está revivendo suas próprias memórias, alegrias e tristezas. 

E, assim, conhecendo a alma do Otacilio, você possa se conhecer um pouco mais, e de fragmento em fragmento, vai criando um novo, vivo e mais belo caminho.


Fragmentos do Caminho 
Por uma espiritualidade viva, porque viver dói, mas é maravilhoso!
Autor: Otacilio Pontes


Recomendo a leitura.

domingo, 28 de junho de 2015

HÉTERO DISCRETO



Há alguns dias venho ouvindo de amigos, demostrando seu carinho e preocupação, que eu deveria parar de publicar aqui e nas outras redes sociais que faço parte, coisas sobre a luta dos LGBTs por seus direitos civis, contra o preconceito, etc. Alguns chegam a dizer: "seja um gay discreto, é mais bonito" ou ainda "você não precisa disso, é inteligente", etc.

Embora entenda a sincera preocupação, e a bondade na intenção, ela é impura e o que não se percebe é o preconceito por trás da afirmação da existência de um gay discreto. Não tenho parâmetros para saber o que é ser um gay discreto. A gente é o que é, não tem como esconder.

Então eu pergunto: O que seria um hétero discreto? 

Seria um hétero discreto alguém que não demostra sua afetividade em publico, não anda de mãos dadas ou abraçado na rua, não dá selinhos ou beijos desentope pia no transporte coletivo, restaurante, parque ou qualquer outro local? Seria aquele que não coloca fotos abraçado ou beijando seu companheiro (a) nas redes sociais? 

Seria um hétero discreto um homem que não coça o saco, arrota, peida ou fala palavrão, coisas estas bem tipicas do sexo masculino e aclamada pelos machistas de plantão - acho que este tópico não, porque se não faz isso é gay. Não é mesmo? - Seria o homem que não olha para a bunda de outra mulher mesmo na presença da sua? 

Seria um hétero discreto uma mulher que seja menos vaidosa, que não pinta as unhas, usa batom, arruma o cabelo - acho que não, estas são aquelas irmãs de igrejas ultra-conservadoras - Ou seria a que não usa seu olhar, o jogar de cabelos, o cruzar das pernas, o sorriso, seu cheiro e sua sensualidade para seduzir? 

Por favor, seja hétero, mas não de pinta!
Percebe, como seria castrador uma campanha para que os héteros fossem discretos em sua sexualidade. E porque não O é quando se trata de gays?

Acredito que existam héteros (discretos) que em publico rejeitam qualquer demostração de sua afetividade, são cuidadosos na presença de idosos e crianças, não postam fotos semi nus, aos beijos ou em posturas sensuais. Assim como há gays que o fazem, e estou nesta lista (me neguei a dar o beijo na cerimonia do meu casamento). Mas estas pessoas são assim por essência, e não tentam impor essa condição aos outros.

Toda essa situação me faz recordar de quando no processo interno para "sair do armário" eu dizia que não levantaria a bandeira do arco-iris, que não diria ser gay, e porque mudei, por empatia e compaixão, pois não não há como não se compadecer de milhares de pessoas que sofrem, são humilhadas, violentadas psicologicamente, agredidas fisicamente e quando não, mortas, pelo fato de serem o que são. Sejam discretos ou não, a questão e´ser gay.

Se defender uma causa, é falta de discrição, me desculpem amigos, continuarei sendo INDISCRETO.
Serei ainda um manifestante das redes-sociais, mas já estou em busca de uma organização que comungue dos mesmos ideias que eu, para então ir para as ruas e quem sabe os palanques.

Como disse o Zagalo: "Vocês vão ter que me engolir" ou excluir.  

sábado, 27 de junho de 2015

IGREJA CRISTÃ FUNDAMENTALISTA DO MUNDO

Bom dia, amados gays, lésbicas, bis, trans.
Aqui quem fala é a igreja cristã fundamentalista do mundo. Escrevo para dizer que amo vocês.

Se eu não acolho vocês em minhas fileiras, é porque eu posso sim aceitar a usura, a mentira, o calote, a fofoca, a vaidade, o abuso de pobres, mulheres, crianças, posso até passar um paninho para limpar a imagem de um marido que espancou a esposa (é claro que ela deve ter dado motivo), mas aceitar que você ame uma pessoa que tenha o mesmo aparelho genital que você já seria vandalismo. Vocês me entendem, né? É por amor.

Quando fecho os olhos para os espancamentos que vocês sofrem nas ruas, é porque acho que no fundo vocês precisam passar por isso para aprenderem a lição. Quando eu ajudo a bater, a reprimir, entendam, é porque eu sei o que é melhor para vocês.

Quando eu digo aos seus pais que não podem aceita-los, e realmente compreendo quando seus pais expulsam vocês de casa, entendam, meus amados, é porque vocês precisam tomar umas surras da vida para se endireitarem.

Minhas portas estão abertas para vocês. Ou melhor, não exatamente para vocês, mas para as pessoas que vocês se tornarão quando largarem esse vida de pipiu com pipiu, perereca com perereca. Eu amo vocês, Por isso eu preciso que vocês entendam, por A mais B, que Jesus é legal e tal, mas só a lei salva.

Esqueçam, por favor, aquela conversa de que as prostitutas precederão os fariseus no reino dos céus. Não se iludam. Jesus é legal e tal, mas não posso deixar que ele leve vocês para o céu. E, como sou eu que decido e dou a sentença (que graça divina que nada) vocês vão para o inferno. Mas nunca se esqueçam de que eu os amo, tá?

Um beijo e um xingo, com muito amor e fogo eterno.

Eu,
(Igreja cristã fundamentalista do mundo)

Texto de Ana Cris Gontijo.
Publicado com autorização.    

terça-feira, 9 de junho de 2015

CRUZ

Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? 

Deus não estava lá.

Deus destruía muros. 
Muros da religião, muros da lei, muros da letra. 
Muros de um povo separado. 
Do povo escolhidos, dos eleitos, dos ungidos. 
Muros dos sacerdotes, proprietários de deus.
Muros de um poder diabólico.
Muros da santidade fingida, da opressão, da separação e do medo.
Muros que geram ódio, dor e solidão.

Pai, perdoa-os, não sabem o que fazem.

Todos estavam lá.

Povos, tribos, línguas e nações. 
Ricos e pobres, plebeus e nobres. 
Quem o desamparou, quem o negou e aquele que o traiu. 
Estavam quem o queria matar. 
O que consentiu por omissão, e aquele que lavou as mãos. 
Os que gritaram; crucifica. e até o soldado que o furou.

Gente do passado e do futuro.
Mortos e os que viriam nascer. 
Aqueles que o iriam amar e aqueles que dele nunca iriam escutar. 
Estava o fundamentalista e o homofóbico.
O religioso e o ateu.
Estavam ali, você e eu.

Estávamos na dor.
Nos cravos, na coroa, no corte em sua lado.
Estávamos em cada gota de sangue derramado. 

Está consumado.

Ele estava na cruz.

E nós estávamos nele.
Estávamos em seu amor.
Elo de perfeição.
Completamente perdoados.
Sem distinção.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

CARTA AOS MEUS PAIS(TORES)

Oro para que não vociferem em seus púlpitos que homossexuais são abomináveis a Deus, pode haver uma criança ouvindo e esta criança pode ainda não saber o que é homossexual, muito menos abominável, mas já pode se sentir estranha em relação ao sentimentos que guarda por alguém do mesmo sexo.


Sendo inevitável  pregações contra os homossexuais, oro para que vocês incluam em seu discurso com toda a sinceridade e verdade, que Cristo também morreu por nós, que também nos ama, e que Sua graça não é merecida por ninguém e mesmo assim, alcança a todos.

Tomem cuidado ao abordar o tema, vocês podem estar sendo usados não como instrumento de cura, mas como instrumento de tortura e violência psicológica à tantos adolescentes e jovens que vão às igrejas em busca de amor e aceitação, mas encontram ódio e rejeição. 

Prestem atenção quando oferecerem cura, eu orei e jejuei dos 13 aos 28 anos, foram 15 anos buscando libertação e vocês são testemunhas disso. Por não alcançá-la e por se sentirem culpados de não conseguir mudar sua orientação sexual, muitos gays pensam em suicídio e muitos outros dão fim a própria vida.

Precaução ao aconselharem os pais que suspeitam dos seus filhos, eles nada fizeram de errado para ter um filho gay. Incitem o amor, o cuidado, a aproximação e não a rejeição. Muitos gays caem no caminho da prostituição por terem sido colocados para fora de casa.

Não permitam que seus membros isolem um gay, a igreja deve ser um lugar de acolhimento e de afetos. Jesus disse: ninguém que vem a mim lançarei fora. a ninguém Ele desprezou, do leproso ao ladrão, a todos recebeu em seu Reino.

Campanhas de jejum, orações no monte e desafios, nada disso tem maior poder que o amor. Então prestem bem atenção no que orientam àqueles que os procurarem pedindo ajuda. Amem em primeiro lugar. Vocês podem matar espiritualmente uma pessoa, que após ter feito de tudo, não viu de Deus a resposta que esperava, fazendo-a assim perder a fé que a pode salvar.

Não queiram fazer o papel de deuses e tentar modificar a pessoa, não ensinem o jovem a falar grosso, a coçar o saco, a deixar de desmunhecar ou a menina a se maquiar, a usar saias, soltar o cabelo ou ser mais feminina. Há coisas que são da essência, é o que a pessoa é, e não determinam a homossexualidade. Tentar mudar o jeito da pessoa com forma de transforma-la é violência psicológica e tormento, é lançar a pessoa em vida, num inferno.  

Não demonizem a pessoa, proibindo de subir ao altar, impedindo-a de atuar na igreja e de abençoar a comunidade com seus dons e talentos. Lembre-se que os dons e a vocação são irrevogáveis e dados por Deus como presente a todos os homens para beneficio do corpo de Cristo e que o verdadeiro templo somos nós e não a construção do homem,

Não condenem como se mudar fosse fácil como trocar de roupa,, não é fácil conviver com a culpa de ser e existir, com os olhares atravessados e de condenação, com o assédio sexual de conhecidos e parentes que só querem confirmar suas suspeitas e aproveitar para cometerem abusos por meio de ameaças de contar para todos.

Não orientem que gays façam sexo heterossexual com a desculpa de que estão confusos e que precisam experimentar para tirar a dúvida.

E por fim, não lancem ninguém no inferno, primeiro porque esta autoridade Deus não te deu. E depois, você pode matar espiritualmente alguém que tem todas as chances de ser salva, mesmo que não seja a sua idealização de salvação. Ela pode ser salva de viver atormentada ao aceitar o amor de Deus e aceitar-se como é.

Certas coisas precisam ser ditas, mesmo que doendo. Estas fazem parte da minha experiencia como cristão e gay e são rememoradas aqui, para que muitos não sofram com elas como eu sofri. Foi isto que vi, ouvi e experimentei. O que sou hoje é fruto destas experiencias.

Eu resisti, mas muitos desistem e ficam pelo caminho, vivos ou mortos, com o consentimento, o amém e, em alguns casos, com os aplausos da congregação.

Pense nisso!


sábado, 16 de maio de 2015

FAMÍLIA: ONDE O FRACO TEM VEZ

"Ele ainda falava a multidão, quando sua mãe e seus irmãos apareceram. Eles estavam do lado de fora, tentando mandar-lhe um recado. Foi quando alguém informou: 'sua mãe e seus irmãos estão aqui. Querem falar com o senhor'. Jesus não deu uma resposta direta, mas perguntou: Quem vocês acham que são minha mãe e meus irmãos?. Ele, então, apontou para seus discípulos. Olhem bem. Estes são minha mãe e meus irmãos. Mais vale a obediência que os laços de sangue. Quem faz a vontade de meu pai celestial é meu irmão, irmã e mãe" - Mateus 12.

Desde que o mundo é mundo, nunca houve uma família tradicional digna de porta retratos ou comercial de margarina como vociferam seus defensores. Basta algumas folhadas na Bíblia, de onde tiram esta ideia, para perceber que ela não se fundamenta e nem se sustenta. A maior parte das historias e tragédias na Bíblia acontecem no âmbito familiar: assassinatos, incestos, traições, maldições, mentiras, invejas, etc. Enredos dignos de novela das 21h. 

Parece que os tais defensores tentam minimizar e esconder, mas, fato é, que o próprio Deus, para a encarnação do seu Filho, escolheu uma situação nada tradicional - uma moça com data de casamento marcada, ainda virgem, para de forma misteriosa aparece gravida. Um noivo supostamente traído, com seu orgulho e masculinidade feridos. Junte a tudo isso, uma sociedade que não perdoava tais atitudes: apedrejamento até a morte era a sentença para gravidas não casadas para o adultério ou para mulheres que na consumação do casamento, não tinham o lençol sujo com o sangue, prova de sua virgindade. A família de Jesus não tinha nada de convencional, já nasceu fadada a ser mau vista e mau falada pela vizinhança.

Na referencia que abre esta reflexão, Jesus não tem a intenção de desmerecer a família, mas como sempre, tentando elevar o tom da conversa,, diz abertamente que a obediência a Deus deve ser superior aos laços de sangue. 

Quem mais, além de nossos familiares possuem o poder irrestrito de nos irritar? 
Filhos desobedientes, pais omissos ou protetores demais, irmãos que são opostos e só faltam se matar, maridos que deixam a toalha molhada em cima da cama ou não levantam a tampa do vaso sanitário, esposas que não permitem o jogo de futebol nem as quartas e muito menos aos sábados. 

Dizemos: "É sangue do meu sangue e me faz isto?"
Poderíamos enumerar aqui uma centena de situações que nos fazem desejar estar bem longe dos nossos familiares, de pedir divórcio e cortar os laços  
É na família que os laços de sangue perdem o valor, tanto para o mau, quanto para o bem.

É no ambiente familiar que aprendemos a maior lição do evangelho: a Graça.
Neste ambiente emaranhado por amor e ódio que o fraco tem vez. 

É nela que manifestamos amor por quem muitas vezes não merece. 
Na família que as maiores lições do evangelho se tornam reais.
Por sua manutenção e pelo amor que temos uns pelos outros [e que é inexplicável] aprendemos a não levar em conta a multidão de pecados, perdoamos e somos perdoados, dividimos o pão, sofremos a perda, damos a outra face e a vida continua. A magoa, o rancor, a dor, podem permanecer por longos anos ou quem dirá por toda uma vida, mas, cedo ou tarde, o amor vence, mesmo que no ultimo suspiro ou já no cemitério.

O que infelizmente os cristãos deixaram de perceber é que quando Jesus ou qualquer outro profeta ou apóstolo fala de obediência a Deus, antes de mais nada, está está falando de amor, o maior de todos os mandamentos, o amor que é o vinculo da perfeição, o amor dom que é maior que as profecias, as línguas, a ciência e que será o único a permanecer. O amor, que é a essência de Deus.

Buscar o Reino de Deus e sua justiça, longe da assiduidade aos cultos, orar sem cessar e jejuar quarenta dias, é, antes de tudo, praticar atos de amor, contrariando a justiça deste mundo. E, em nenhum lugar isto acontece, melhor do que dentro da família.

Que possamos aprender isto, e assim como as várias famílias bíblicas acolher as fraquezas em amor, não despedindo ou deserdando os nossos - de sangue ou não - em favor de uma utopia anti-bíblica de família ou igreja perfeitas. É na busca de uma santidade fingida e de uma perfeição desumana, encontradas fora do amor que as maiores atrocidades acontecem, e elas só satisfazem o ego dos homens. 

Que o fraco encontre na sua família, não a justiça humana baseada no olho por olho e dente por dente, mas a justiça de Deus em Cristo, que morreu para perdoar todos os pecados. N'Ele somos justificados.

Que nossa satisfação esteja em obedecer como Maria e José, que não se preocuparam com a própria reputação ou com os riscos que podiam sofrer e, contra o que diziam as leis, os mandamentos, os estatutos e códigos sociais da época, resolveram amar e formar uma família na fraqueza para que a graça de Deus se manifestasse a todas as famílias da terra.

Pense nisto ou melhor, aja assim!