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terça-feira, 9 de junho de 2015

CRUZ

Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? 

Deus não estava lá.

Deus destruía muros. 
Muros da religião, muros da lei, muros da letra. 
Muros de um povo separado. 
Do povo escolhidos, dos eleitos, dos ungidos. 
Muros dos sacerdotes, proprietários de deus.
Muros de um poder diabólico.
Muros da santidade fingida, da opressão, da separação e do medo.
Muros que geram ódio, dor e solidão.

Pai, perdoa-os, não sabem o que fazem.

Todos estavam lá.

Povos, tribos, línguas e nações. 
Ricos e pobres, plebeus e nobres. 
Quem o desamparou, quem o negou e aquele que o traiu. 
Estavam quem o queria matar. 
O que consentiu por omissão, e aquele que lavou as mãos. 
Os que gritaram; crucifica. e até o soldado que o furou.

Gente do passado e do futuro.
Mortos e os que viriam nascer. 
Aqueles que o iriam amar e aqueles que dele nunca iriam escutar. 
Estava o fundamentalista e o homofóbico.
O religioso e o ateu.
Estavam ali, você e eu.

Estávamos na dor.
Nos cravos, na coroa, no corte em sua lado.
Estávamos em cada gota de sangue derramado. 

Está consumado.

Ele estava na cruz.

E nós estávamos nele.
Estávamos em seu amor.
Elo de perfeição.
Completamente perdoados.
Sem distinção.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

CARTA AOS MEUS PAIS(TORES)

Oro para que não vociferem em seus púlpitos que homossexuais são abomináveis a Deus, pode haver uma criança ouvindo e esta criança pode ainda não saber o que é homossexual, muito menos abominável, mas já pode se sentir estranha em relação ao sentimentos que guarda por alguém do mesmo sexo.


Sendo inevitável  pregações contra os homossexuais, oro para que vocês incluam em seu discurso com toda a sinceridade e verdade, que Cristo também morreu por nós, que também nos ama, e que Sua graça não é merecida por ninguém e mesmo assim, alcança a todos.

Tomem cuidado ao abordar o tema, vocês podem estar sendo usados não como instrumento de cura, mas como instrumento de tortura e violência psicológica à tantos adolescentes e jovens que vão às igrejas em busca de amor e aceitação, mas encontram ódio e rejeição. 

Prestem atenção quando oferecerem cura, eu orei e jejuei dos 13 aos 28 anos, foram 15 anos buscando libertação e vocês são testemunhas disso. Por não alcançá-la e por se sentirem culpados de não conseguir mudar sua orientação sexual, muitos gays pensam em suicídio e muitos outros dão fim a própria vida.

Precaução ao aconselharem os pais que suspeitam dos seus filhos, eles nada fizeram de errado para ter um filho gay. Incitem o amor, o cuidado, a aproximação e não a rejeição. Muitos gays caem no caminho da prostituição por terem sido colocados para fora de casa.

Não permitam que seus membros isolem um gay, a igreja deve ser um lugar de acolhimento e de afetos. Jesus disse: ninguém que vem a mim lançarei fora. a ninguém Ele desprezou, do leproso ao ladrão, a todos recebeu em seu Reino.

Campanhas de jejum, orações no monte e desafios, nada disso tem maior poder que o amor. Então prestem bem atenção no que orientam àqueles que os procurarem pedindo ajuda. Amem em primeiro lugar. Vocês podem matar espiritualmente uma pessoa, que após ter feito de tudo, não viu de Deus a resposta que esperava, fazendo-a assim perder a fé que a pode salvar.

Não queiram fazer o papel de deuses e tentar modificar a pessoa, não ensinem o jovem a falar grosso, a coçar o saco, a deixar de desmunhecar ou a menina a se maquiar, a usar saias, soltar o cabelo ou ser mais feminina. Há coisas que são da essência, é o que a pessoa é, e não determinam a homossexualidade. Tentar mudar o jeito da pessoa com forma de transforma-la é violência psicológica e tormento, é lançar a pessoa em vida, num inferno.  

Não demonizem a pessoa, proibindo de subir ao altar, impedindo-a de atuar na igreja e de abençoar a comunidade com seus dons e talentos. Lembre-se que os dons e a vocação são irrevogáveis e dados por Deus como presente a todos os homens para beneficio do corpo de Cristo e que o verdadeiro templo somos nós e não a construção do homem,

Não condenem como se mudar fosse fácil como trocar de roupa,, não é fácil conviver com a culpa de ser e existir, com os olhares atravessados e de condenação, com o assédio sexual de conhecidos e parentes que só querem confirmar suas suspeitas e aproveitar para cometerem abusos por meio de ameaças de contar para todos.

Não orientem que gays façam sexo heterossexual com a desculpa de que estão confusos e que precisam experimentar para tirar a dúvida.

E por fim, não lancem ninguém no inferno, primeiro porque esta autoridade Deus não te deu. E depois, você pode matar espiritualmente alguém que tem todas as chances de ser salva, mesmo que não seja a sua idealização de salvação. Ela pode ser salva de viver atormentada ao aceitar o amor de Deus e aceitar-se como é.

Certas coisas precisam ser ditas, mesmo que doendo. Estas fazem parte da minha experiencia como cristão e gay e são rememoradas aqui, para que muitos não sofram com elas como eu sofri. Foi isto que vi, ouvi e experimentei. O que sou hoje é fruto destas experiencias.

Eu resisti, mas muitos desistem e ficam pelo caminho, vivos ou mortos, com o consentimento, o amém e, em alguns casos, com os aplausos da congregação.

Pense nisso!


sábado, 16 de maio de 2015

FAMÍLIA: ONDE O FRACO TEM VEZ

"Ele ainda falava a multidão, quando sua mãe e seus irmãos apareceram. Eles estavam do lado de fora, tentando mandar-lhe um recado. Foi quando alguém informou: 'sua mãe e seus irmãos estão aqui. Querem falar com o senhor'. Jesus não deu uma resposta direta, mas perguntou: Quem vocês acham que são minha mãe e meus irmãos?. Ele, então, apontou para seus discípulos. Olhem bem. Estes são minha mãe e meus irmãos. Mais vale a obediência que os laços de sangue. Quem faz a vontade de meu pai celestial é meu irmão, irmã e mãe" - Mateus 12.

Desde que o mundo é mundo, nunca houve uma família tradicional digna de porta retratos ou comercial de margarina como vociferam seus defensores. Basta algumas folhadas na Bíblia, de onde tiram esta ideia, para perceber que ela não se fundamenta e nem se sustenta. A maior parte das historias e tragédias na Bíblia acontecem no âmbito familiar: assassinatos, incestos, traições, maldições, mentiras, invejas, etc. Enredos dignos de novela das 21h. 

Parece que os tais defensores tentam minimizar e esconder, mas, fato é, que o próprio Deus, para a encarnação do seu Filho, escolheu uma situação nada tradicional - uma moça com data de casamento marcada, ainda virgem, para de forma misteriosa aparece gravida. Um noivo supostamente traído, com seu orgulho e masculinidade feridos. Junte a tudo isso, uma sociedade que não perdoava tais atitudes: apedrejamento até a morte era a sentença para gravidas não casadas para o adultério ou para mulheres que na consumação do casamento, não tinham o lençol sujo com o sangue, prova de sua virgindade. A família de Jesus não tinha nada de convencional, já nasceu fadada a ser mau vista e mau falada pela vizinhança.

Na referencia que abre esta reflexão, Jesus não tem a intenção de desmerecer a família, mas como sempre, tentando elevar o tom da conversa,, diz abertamente que a obediência a Deus deve ser superior aos laços de sangue. 

Quem mais, além de nossos familiares possuem o poder irrestrito de nos irritar? 
Filhos desobedientes, pais omissos ou protetores demais, irmãos que são opostos e só faltam se matar, maridos que deixam a toalha molhada em cima da cama ou não levantam a tampa do vaso sanitário, esposas que não permitem o jogo de futebol nem as quartas e muito menos aos sábados. 

Dizemos: "É sangue do meu sangue e me faz isto?"
Poderíamos enumerar aqui uma centena de situações que nos fazem desejar estar bem longe dos nossos familiares, de pedir divórcio e cortar os laços  
É na família que os laços de sangue perdem o valor, tanto para o mau, quanto para o bem.

É no ambiente familiar que aprendemos a maior lição do evangelho: a Graça.
Neste ambiente emaranhado por amor e ódio que o fraco tem vez. 

É nela que manifestamos amor por quem muitas vezes não merece. 
Na família que as maiores lições do evangelho se tornam reais.
Por sua manutenção e pelo amor que temos uns pelos outros [e que é inexplicável] aprendemos a não levar em conta a multidão de pecados, perdoamos e somos perdoados, dividimos o pão, sofremos a perda, damos a outra face e a vida continua. A magoa, o rancor, a dor, podem permanecer por longos anos ou quem dirá por toda uma vida, mas, cedo ou tarde, o amor vence, mesmo que no ultimo suspiro ou já no cemitério.

O que infelizmente os cristãos deixaram de perceber é que quando Jesus ou qualquer outro profeta ou apóstolo fala de obediência a Deus, antes de mais nada, está está falando de amor, o maior de todos os mandamentos, o amor que é o vinculo da perfeição, o amor dom que é maior que as profecias, as línguas, a ciência e que será o único a permanecer. O amor, que é a essência de Deus.

Buscar o Reino de Deus e sua justiça, longe da assiduidade aos cultos, orar sem cessar e jejuar quarenta dias, é, antes de tudo, praticar atos de amor, contrariando a justiça deste mundo. E, em nenhum lugar isto acontece, melhor do que dentro da família.

Que possamos aprender isto, e assim como as várias famílias bíblicas acolher as fraquezas em amor, não despedindo ou deserdando os nossos - de sangue ou não - em favor de uma utopia anti-bíblica de família ou igreja perfeitas. É na busca de uma santidade fingida e de uma perfeição desumana, encontradas fora do amor que as maiores atrocidades acontecem, e elas só satisfazem o ego dos homens. 

Que o fraco encontre na sua família, não a justiça humana baseada no olho por olho e dente por dente, mas a justiça de Deus em Cristo, que morreu para perdoar todos os pecados. N'Ele somos justificados.

Que nossa satisfação esteja em obedecer como Maria e José, que não se preocuparam com a própria reputação ou com os riscos que podiam sofrer e, contra o que diziam as leis, os mandamentos, os estatutos e códigos sociais da época, resolveram amar e formar uma família na fraqueza para que a graça de Deus se manifestasse a todas as famílias da terra.

Pense nisto ou melhor, aja assim!

terça-feira, 28 de abril de 2015

VOTOS

"Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio." 
William Shakespeare | Como Gostais - Ato V cena II - Rosalind  (1599 - 1600)

Após pouco mais de um mês do meu casamento, com as emoções no lugar e os pensamentos em ordem, fica mais claro escrever. Dias antes do casamento, ansioso e angustiado, precisava escrever os votos e as palavras não fluíam. 

Queria escrever sobre o porque me casaria com o Wagner, quais as qualidades que ele possui que me atraíram a ele e não conseguia. Foram dias complicados que me fizeram colocar em dúvida meus sentimentos e os motivos de tão definitivo passo. Se há algo desumano, é não reconhecer os valores do outro. Então decidi olhar tudo o que já havia escrito sobre nós, foi quando me deparei com a seguinte texto:

"É um amor tão tranquilo que às vezes penso que não é. Mas é só ficar perto de você, que a dúvida passa. Nossos encontros são poesias que ninguém lê. Não necessitamos palavras, todo meu corpo fala quando te vê. E nos meus olhos pode ler aquilo que em voz alta não consigo dizer.
Então me conquiste até eu não ter mais forças e desista de resistir. E com um grito coloque pra fora o meu coração ainda pulsando, e dizendo baixinho o que você precisa ouvir. E que só consigo dizer sem palavras, olhado pra você." - Sem Palavras - David Santos - 30/10/2011.

Quando nos apaixonamos, é como comprar uma caixa fechada e que só pode ser aberta quando chegarmos em casa, não havendo possibilidade de devolução ou troca. O que isso significa? Que precisamos amar o conjunto - a caixa e seu conteúdo - não apenas o que está por fora, não apenas o "corpo que o sexo deseja"... parafraseando o Pequeno Príncipe "o essencial é invisível aos olhos, pois só se vê bem com o coração". Temos que amar além do que os nossos olhos podem ver, e isso inclui amar a alma, os sonhos, anseios, medos e tudo o mais que a vida nos fizer experimentar, Se a vida é uma caixinha de surpresas, o amor é o embrulho e suas fitas.

Insisti mais um pouco tentando encontrar as tais qualidades, e somente na madrugada que antecedia o casamento, quando não consegui ter um sono profundo, acordei com milhões de pensamentos e um deles me dizia: "o dia em que você precisar justificar com as qualidades de alguém o porque o ama, o amor acabou". 

É tão fácil amar o igual, o legal, o bonito, o que nos agrada, mas amor mesmo, é aquele que resiste, ao tempo e se fortalece à medida em que você reconhece o outro como único, como humano, com suas qualidades e defeitos. É amar por  completo. Como com pais, irmãos, avós e tios, simplesmente amamos, não sabemos quando começou é nem os motivos, amamos e amamos por completo. 

Os votos foram terminados, um copilado de tudo o que já havia escrito antes, um memorial para que eu soubesse o que me levou ao altar e que não foram apenas as qualidades dele, mas a história que estamos construindo juntos.

Que o felizes para sempre passe devagar e que cada novo dia seja um novo memorial da aliança que firmamos.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

CONSTRANGIDO POR AMOR #BBZL



Sim, sou gay.

Sim sou cristão.

Na minha memória ambos, desde que me entendo por gente.
Vivi minha cristandade intensamente, era fervoroso, em algumas coisas fundamentalista.
Minha homossexualidade.
Escondi por 28 anos, até que me apaixonei pela primeira vez.
Deixei a igreja não por ter sido discriminado.
Embora tenha acontecido algumas vezes durante minha vida.
Já ouvi de "no meu altar ele não sobe" a "tem demônios".
Fui proibido de ser amigo e frequentar lugares.
Mas não sai com mágoas.
Sai por respeito.
Sou pastor. Meus pais, irmãos, tios, cunhados e avó lideres na igreja.
Não queria mais me esconder ou mentir, dizer que estava "esperando em Deus".
Mas também não queria afrontar ninguém.
Existem fracos na igreja.
Aprendi a amar ao ponto de não ser tropeço.
E já disse Paulo, o apóstolo, "no que depender de vós tende paz com todos"
E isso, procuro fazer ate hoje.

Me apaixonei.
Comecei a namorar.
Noivei. Ficou sério.

E neste meio tempo fui apresentado a uma comunidade cristã..
Mas exitei muito em ir a um culto.
Namorei a igreja por quase 2 anos.
Seguindo a igreja no twitter percebi um Deus que conhecia.
Mas não tinha ainda experimentado.

Ele me abominava por ser homossexual?
Não! Mas para alguns que o chamam de Deus e se sentem "eleitos" sim.

Cada eco de pregação ardia em meu coração.
Uma mensagem desinteressada em criar semi-deuses ou santos.
Que valoriza a humanidade a exemplo do Cristo.
Que se esvaziou da glória e se fez carne.

Tomei coragem e fui.
E cá estou há apenas um ano, mas que vale por toda a minha vida.

O que ela tem de diferente das outras?
Quase nada.
Repleta de conflitos, problemas e dificuldades.
Tudo muito parecido com a igreja de épocas anteriores.

Sei que tem gente que não aceita o fato de ter um casal homossexual frequentando a "sua" igreja.
Que deve torcer o nariz e falar pelas costas.
Ameaçar o pastor e os irmãos.
Mas o "atire a primeira pedra quem não tem pecados" ainda está valendo.
Então, baixem as armas.

Isso me incomoda?
Nem um pouco.
A graça de Deus é multiforme.
Nela não há nacionalidade, gênero, condição social.
Somos um e estamos em Cristo.
É na diversidade que a igreja acontece.
Na comunhão de amor entre os diferentes.

O que me incomoda?
O julgamento desumano que condena ao inferno.
A desistência do dialogo e a resistência ao entendimento.
A persistência em paradigmas e sofismas que desembocam na falta de amor.
Que causam morte em nome de um deus que não é o Cristo.
Pois Ele, morreu para dar vida com abundancia.

Porque ainda estou lá?
Pelo amor que tenho experimentado.
Pelo respeito que tenho vivenciado.
Por ser abraçado e abençoado.
Por ser visto como filho.
Por me sentar a mesa.
Por me sentir parte.
Por ter amigos.
Por ser amado.

Me casei.
Fui apoiado.
Encorajado.
Abençoado por vocês.

E acredito que sementes estão sendo plantadas.
Se colheremos ou não, isso convém a Deus determinar.
A nós compete, não esmorecer.
Mas nos mantermos firmes na fé.

A todos vocês meu amigos.
Sejam o verbo encarnado do discurso de vocês.
Não desistam.

Permaneçam sendo para nim, como o tanque chamado Betesda.
A casa onde encontro misericórdia.
O abraço apertado que cura, consola e encoraja.

Obrigado.
Com amor.

terça-feira, 7 de abril de 2015

QUEM SÃO AS VITIMAS?

Quem é que gosta de pessoas que se vitimizam?

Tudo o que acontece a sua volta, é o universo conspirando contra ela. 
Ninguém pode ter uma atitude espontânea como gargalhar, que já acham que estão rindo dela, 
Se cochicham algo, estão falando dela, se param de falar, é porque o assunto era ela. 
Quando contam-lhe uma situação complicada, tem milhares de outras mais complicadas e horríveis.


Pessoas assim, necessitam estar no centro das atenções, são carentes, e sofrem da síndrome persecutória. Por estarem sempre reclamando, tornam-se chatas e incomodas.

Evitemos pessoas assim, dizem os gurus da auto-ajuda.e alguns religiosos.
Elas são responsáveis por sugar nossas energias, nossa disposição e alegria.
São capazes de paralisar nosso crescimento e prosperidade.

Entretanto, há outro tipo de pessoa, e estas são melhores aceitas. 
Há uma cultura instituída por meio delas, são formadoras de opinião e bem articuladas.
Adoradas por seu espirito investigativo.

Fingem desviar a atenção de si mesmas usando de engodo.
Buscam o culpado para qualquer tipo de situação, com a finalidade de  manter as coisas como estão. Não querem solução, querem encontrar quem causou o "seu problema".mesmo que ele não exista. Querem tirar de si qualquer responsabilidade, seja ela qual for.

No fundo, dois lados da mesma moeda.
Tanto os que se vitimizam quanto os que procuram culpados, querem ser o centro das atenções. São idiotas no sentido etimológico da palavra.

Quantas oportunidades a igreja tem perdido enquanto busca pelos "culpados".
Na ânsia pela manutenção de um status que já foi abolido pelo próprio Cristo, não abre mão de se vitimizar, demonizando situações, criando infernos para aqueles aos quais Cristo morreu.

Negros são culpados, sofreram e sofrem por serem descendentes diretos de Cam.
A escravidão foi cumprimento a profecia de Noé, homem de Deus.
Seus reflexos são sentidos ainda hoje por sua plena maioria: são os mais pobres, moram em favelas, são maioria nas cadeias, tem pouco ou nenhum acesso a estudo, são marginalizados e mau vistos na sociedade.

Mulheres, culpadas, sofrem as dores do parto, pois foram as responsáveis pela queda da humanidade. Não devem possuir direitos, nem mesmo por seu próprio corpo. Não podem ter voz, não podem votar, não podem trabalhar fora e nem ganhar mais que os homens. É o sexo frágil, por isso devem ser violadas, assediadas sem direito a defesa. Qualquer xingamento aos homens deve ter conotação feminina, pois já viu humilhação maior que ser mulher?

Homossexuais, culpado, foram amaldiçoados pelo próprio Deus, são abomináveis.
São os culpados por todas as catástrofes naturais existentes. Culpados pela destruição de Sodoma e Gomorra e da família tradicional. Assim como os eunucos, devem servir apenas para vestir e cuidar da beleza das mulheres, mantendo assim a cabeça de seus maridos em segurança. Também podem servir de puta para a iniciação sexual dos filhos dos héteros e prazer de alguns que não se decidiram ainda,

Em determinada jornada,  Jesus avistou um cego de nascença. 
Seus discípulos o questionaram: Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus disse: Vocês estão fazendo a pergunta errada, procurando a quem culpar. Não há nenhuma relação de causa e efeito aqui. Em vez disso, olhem para o que Deus pode fazer. Trabalhem enquanto é dia, pois a noite chega e o expediente acaba.

Eis a oportunidade de fazer o bem.
Oportunidade de manifestarem o Cristo ressurreto.
Oportunidade de partir o pão e dividir as vestes.
Oportunidades de pregar o Reno de Deus e sua justiça, paz e alegria.
Oportunidades de "curar o cego" inclusive os da própria igreja.

Mas preferimos procurar os culpados e nos vitimizar.
O expediente pode acabar, a noite pode chegar.
E não descobrimos quem são as vitimas.

sábado, 14 de março de 2015

APENAS DIFERENTES

Sim, somos diferentes.
Apesar das semelhanças, ainda assim, completamente diferentes.
Todos nós, sem exceção e a ciência já explicou isso.

Somos todos diferentes.
Entretanto, teimamos em excluir o que é diferente de nós.

Somos todos excluídos?
Não.

São excluídos apenas aqueles que não se adequam à cultura criada pelos diferentes.
Uma minoria de diferentes, não quer ser apenas semelhantes, querem ser iguais.
E consideram diferentes, apenas a minoria dos semelhantes que querem manter suas diferenças.
E conseguiram convencer a maioria de nós.

Onde está a beleza do homem e o poder de Deus senão no fato de sermos todos únicos?
Semelhantes sim, e completamente diferentes, ÚNICOS.
A diferença é que....

Mulheres foram marginalizadas por serem mulheres.
Mulheres são marginalizadas por serem frágeis e sentimentais.
Mulheres são marginalizadas por serem fortes e racionais.
Mulheres são marginalizadas por buscarem igualdade.
Mulheres são marginalizadas quando querem ser "donas do lar".
Mulheres morrem por serem mulheres.

Negros foram marginalizados por serem negros.
Negros foram marginalizados, escravizados, tinham que trabalhar.
Negros são marginalizados por terem cabelo "ruim".
Negros são marginalizados por alisarem seus cabelos, negando suas origens.
Negros são marginalizados por cotas que os possibilitam trabalhar.
Negros morrem por serem negros.

Homossexuais foram marginalizados por serem homossexuais.
Homossexuais são marginalizados por serem homossexuais.
Homossexuais são marginalizados por outros homossexuais,
Homossexuais morrem por serem homossexuais.

Homens nunca foram marginalizados por serem homens.
Homens se sentem superiores por serem homens.
Homens cultuam privilégios que acreditam possuir apenas por serem homens.
Homens matam por serem homens.

Homens não morrem por serem homens.
São os homens todos iguais?