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segunda-feira, 5 de maio de 2014

#JBZL ESPIRITUALIDADE VIVA

Não há palavras, há abraços.
E os abraços destilam lágrimas.
Lágrimas que regam outros abraços.
E fazem crescer uma espiritualidade sadia, real e viva.
Uma espiritualidade humana, de tão divina.

JBZL são para mim como os ramos desta árvore.
Jesus é a videira verdadeira, e vocês são os seus ramos.
Eu, um pássaro que já voou por muitos lugares.
E após voar sem encontrar pouso, já cansado.
Encontrou nos ramos desta videira uma acolhida.

Um abraço, um sorriso.
Um descanso, um amigo.
Um apenas não, muitos.
Muitos amigos, muitos irmãos.

E assim como eu, muitos pássaros ainda encontrarão pouso nestes galhos.
Preparem-se para isso!!

Deixem que seus galhos se encham de folhas.
Se encham de flores, se encham de frutos.
Se encham de amor.

Sejam relevantes.
Fujam do amor de palavras.
Sejam cidadãos do Reino.
Estabeleçam o Reino.
Onde estiverem, por onde forem.

E para quem procura-los sejam abrigo.
Sejam amigos, assim como todos vocês tem sido comigo.

Com amor.

domingo, 30 de março de 2014

PARADIGMAS, PRECONCEITOS E NOVOS CÉUS

O preconceito é a atitude discriminatória, baseada em juízo preconcebido de algo ou alguém que fere diretamente um modelo estabelecido de mundo ideal e que outrora possa ter sido a solução para dada situação ou momento, mas que perdeu a relação com realidade. Logo o preconceito está diretamente ligado a paradigmas e à manutenção do status quo.  Sendo assim, o preconceito nada mais é que a exteriorização violenta e amedrontada da nossa aversão a mudanças.
 
Há uma historia bíblica que exemplifica bem a relação preconceito versus paradigma:
Samuel o profeta, foi designado por Deus para ungir um Rei para Israel, enviado a casa de Jessé, fez passar diante de si todos os filhos deste: Eram homens fortes, bonitos, inteligentes, capazes de conduzir o povo diante das guerras intermináveis com os cananeus; Aos olhos de todos, reis em potencial. Por fim, Samuel questiona se não havia nenhum outro filho, porque Deus não o havia tocado a respeito dos que tinha visto. Sim, havia mais um filho, este, sem muita importância ficou esquecido no campo junto às ovelhas que cuidava.

Davi era pequeno, magro, ligado às artes, poeta e musico, de coração sensível, estava mais para “bobo da corte” que para Rei. Mandaram chama-lo, e quando este chegou a Samuel, Deus disse: Este é o Rei!  [I Samuel 16}. Samuel então questiona a Deus, sobre o “absurdo” que estava fazendo, ao que recebe de resposta: “O Senhor não vê como o homem, o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”.

O que Samuel não percebeu é que Deus estava quebrando paradigmas e com isso o preconceito que havia no coração do profeta e do povo. Eles conheciam Saul, o atual Rei, que tinha tudo o que os reis dos povos vizinhos tinham, era o estereótipo de rei bem-sucedido, o modelo ideal, mas que representava um tempo passado, algo que para o atual momento era antiquado e impedia-os de ter experiências mais profundas com Deus.

E assim, Deus estava dizendo a Israel, “vamos mudar as coisas por aqui”, está na hora de viver coisas diferentes, experimentar o novo, façamos loucuras em favor da vida abundante, “a virgem dará luz a uma criança” e nunca mais o mundo será o mesmo. [Isaias 7:14; Isaías 43:19-21]

E no decorrer da historia, podem-se observar várias outras situações parecidas, onde pela fé, homens e mulheres mudaram o status quo, quebrando paradigmas em favor da vida e construindo um novo mundo [Hebreus 11:32-40].

O próprio Jesus era exímio em quebrar paradigmas, em mudar a ordem das coisas, seu discurso era desafiador, dizia: “Ouviste o que foi dito, mas eu, porém vos digo (...)”, por isso sofreu preconceito por parte dos lideres religiosos da época, sendo perseguido e morto.

É evidente que todos nós temos preconceitos, em maior ou menor intensidade, vivemos envoltos em paradigmas. E quando o Apostolo Paulo nos exorta a não julgarmos, ele o faz tendo em mente todas as variáveis da vida, pois, nosso julgamento preconcebido, pode estar intoxicado por um paradigma, que nem ao menos temos a noção de que existe ou que esteja lá [Mateus 15: 19-20].
E como podemos estreitar nossos afetos e relacionamentos, se estivermos atormentados pelo preconceito?

O preconceito tem origem no medo, o medo produz tormento, e atormentados, teremos atitudes de defesa, agredindo o outro, agindo pela lei do “olho por olho e dente por dente”, logo, não seremos aperfeiçoados no amor [I Joao 4:18-21].
 
Quem tem preconceito com negros, é infeliz porque eles deixaram de ser escravos, acredita ainda que são pessoas inferiores e por isso devem ficar excluídos da sociedade. Os homens tem medo da emancipação das mulheres, temem que elas assumam o controle que eles acreditam possuir, assim, se tornam machistas, na ânsia de defender o seu lugar, diminuem, agridem, excluem. Temem que assegurando os direitos civis aos homossexuais, de forma sobrenatural, todos os héteros se transformem em gays, e assim, acabe a família, e toda a estrutura social que conhecemos hoje. E a lista não termina: estrangeiros, pessoas com deficiência, nativos de determinada região, gêneros musicais, lembra-se do rock a “musica do diabo”, do axé, e do funk carioca, tão discriminado, hoje musica de “elite”.
 
Também, entre os próprios cristãos: católicos, protestantes históricos, tradicionais, reformados, pentecostais, avivalistas, neopentecostais; todos a seu modo, temem a mudança do status quo, temem a ruptura com o paradigma que criaram, pois assim, podem perdem seu lugar de poder, perdem sua hegemonia. 

Logo, precisamos de um novo discurso, sobretudo de uma nova práxis, para um novo tempo. Um discurso que reconhece que a verdade nunca foi absoluta, mas que dialoga com o tempo, cultura e experiências de vida.
 
E como conselho dado a crianças, exorto, tenha em ti o mesmo espirito que houve em Cristo, enfrente seus medos, enfrente seus preconceitos, quebre paradigmas, mude o estado das coisas:: quebre o sábado, não apedreje mesmo que a lei ordene isso, fuja da hipocrisia de uma santidade fingida, para que o Reino seja estabelecido.
 
Este é o novo de Deus, novos relacionamento, novos afetos. Não tema ser reconhecido como amigos dos pecadores, não tema ser reconhecido como cristão, até que haja novos céus e nova terra onde reine a justiça, a paz e a alegria.

Este texto foi escrito com base numa conversa realizada com os JBZL (Jovens Betesda Zona Leste), sobre o tema: "Só os preconceituosos herdarão o Reino de Deus" capitulo do livro de Elienai Cabral Junior - E se alguém acender a Luz.
 

sábado, 22 de março de 2014

3 Mêses 4 Livros

Os três primeiros meses deste ano não estão sendo fáceis, haja vista eu não ter nem tempo para incluir as dicas de livros por aqui. Sorte é ainda ter tempo para ler, graças a Deus pelo transporte publico, local onde faço a maior parte de minhas leituras. Então já que consegui uma brecha na agenda, vamos indicar logo 4 livros:

Guia Politicamente Incorreto da Filosofia
Luiz Felipe Pondé

Segundo livro que leio de autor, cujas crônicas na Folha de São Paulo são um show a parte. Oras amado, oras odiado, Pondé consegue nos deixar em saia justa, jogando em nossa cara de maneira irônica, toda as mentiras que tentamos esconder.

Em Guia da Filosofia trata de realizar criticas às afirmações hipócritas da sociedade atual, mas em minha opinião, ele não foi tão feliz quanto em "Contra um Mundo Melhor - Ensaios do Afeto" caiu na tentação de escrever mais do mesmo e o livro ficou enfadonho.

O amor que acende a lua 
Rubem Alves
 
Rubem Alves dispensa apresentações, amo tudo o que ele escreve.
Neste livro em especial, o autor recorda situações de sua vida, tratando cada assunto em uma crescente, aumentando em profundidade à medida que os capítulos vão acontecendo, como as fases da lua.
 
Nota-se no decorrer do livro uma necessidade do autor em despertar no leitor uma imagem espiritual da vida, com reverencia as coisas belas do mundo, como forma de se reaproximar de Deus e da vida abundante que nos prometeu.

Além do Bem e do Mal
Nietzsche

Um livro confuso, como a maioria do autor.
Creio que lê-lo em sequencia como um romance não tenha sido uma boa ideia. Não fica claro onde o autor quer chegar, em alguns momentos parece fazer a critica pela critica, e logo adiante se explica, mas ainda assim, de forma obscura.

Como dito na apresentação do livro: "Nietzsche discute a problemática a seu modo, para ele a questão do bem e do mal, está além da própria moral (...) A solução de Nietzsche é simples, respirar outros ares. Mas é também complexa: voar mais alto, para o alto, acima do bem e do mal." O difícil é conseguir acompanhar este voo.
 
A verdade é a conversa
Elienai Cabral Junior
 
Livro baseado na dissertação de mestrado do autor.
A verdade é a conversa tenta realizar uma aproximação entre filosofia e teologia, através dos pensadores R. Rorty e J.L Segundo. O autor propõe uma aproximação de olhares para a verdade, concebendo-a como processo pedagógico. Uma verdade que se mantem em processo aberto e conversacional, implicando na não exclusão de outros saberes, como os que constituem a experiência de fé.
 
A leitura não é fácil, e para quem não tem claro os conceitos teológicos e filosóficos utilizados, o entendimento pode ficar comprometido. O importante é ler, tendo em mente o foco do autor, a verdade não é um fim em si mesma, ela conversa com a vida e se refaz a medida em que temos novas experiências.



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

ANTES DELE

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Havia tempo para sair com os amigos.
Todo encontro era uma festa, horas para sorrir e gargalhar.
Jogar conversa fora, falar sério e até filosofar.
Abraços prolongados e toques nas mãos.
Sorrisos com os olhos e presentes.
Sim, todos estavam presentes - corpo e alma.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Aguardava-se ansioso para saber o que haviam feito no final de semana ou nas férias.
Parava-se para prestar atenção nas aventuras vividas contadas aos detalhes para se imaginar.
Fotos, demoravam semanas para se ver, isso quando os negativos não queimavam.
Havia o que rever, havia o que lembrar, havia o que reviver.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Opiniões eram ditas a quem se conhece de verdade, que mesmo não concordando iria respeitar.
O direito de discordar era garantido, pelo amor, pela amizade, pela convivência.
As conversas duravam horas, pontos de vistas se tornavam conceitos, ou eram desfeitos.
Tudo isso regado a uma garrafa de cerveja ou um bom vinho, na varanda de casa ou na mesa de um bar.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
A vida era real e o mundo ideal estava apenas nas ideias e ideais.
A busca por ele era diária, sem utopia, com ações reais e gritos de guerra.
Musica, poesia e esperança, na vida ou morte.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Ouvia-se os gritos das crianças sem se incomodar, elas brincavam na rua, de se esconder e de pegar.
Corrida de rolemâ, quebrar um vidraça com a bola, brincar do que inventar.
O seu som era como musica, sinfonia de vida pela janela a entrar.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Cartas eram escritas a mão e perfumadas para fazer a saudade chorar.
No aniversário se fazia questão de estar, abraçar e desejar os sonhos a realizar.

Antes dele, as pessoas eram realmente felizes.
Havia um nome a zelar e relações a cultivar.
E a vida era contada em verso e prosa.
Havia motivos pra sonhar.

Em dias como este, felicidade já não se sabe o que é.
Mas houve um tempo em que era real.
Até que criaram um outro mundo, o chamado virtual.

sábado, 25 de janeiro de 2014

O ANTICRISTO

Para qualquer cristão, um livro com este nome é no mínimo uma leitura interessante. Faz parte da cultura evangélica o desejo de conhecer o futuro, de saber os sinais do apocalipse e de como se manifestará aquele que a bíblia deixa entender que conduzirá a maior perseguição à cristãos antes do arrebatamento da igreja.
 
Mas o que dizer de um livro escrito por um filosofo que declarou "Deus está morto"? A leitura passa de interessante para algo abominável. Creio que este livro faz parte daqueles que por muito tempo foram proibidos nos círculos eclesiásticos., e que se tivesse sido escrito na época da inquisição, com certeza Nietzsche seria morto na fogueira.
 
Porém, antes da critica pela critica, precisamos conhecer as motivações não só externas, aparentes, mas as internas, aquelas que estão submersas em nosso inconsciente. Após a leitura, que confesso não foi nada fácil [tive que ler duas vezes], apesar de concordar e muito com o autor, quis entender mais sobre sua vida, pois, não me incomodou tanto o fato de discordar do cristianismo, mas o ódio com que faz isso, este sentimento permeia todo o livro.
 
Nietzsche, era alemão de família cristã de tradição luterana, e seu pai um pastor que morreu quando ele ainda era criança. No filme "Quando Nietzsche chorou" o autor revela o sentimento de solidão que perseguia o filosofo, e um sonho terrível com seu pai, que saia do tumulo para busca-lo. Logo pensei, será que a morte de seu pai, não fez com quem Nietzsche se revoltasse com Deus, como acontece a muitas pessoas? Nunca saberei. Fato é que o livro faz severas criticas ao cristianismo, e muitas de suas afirmações chegam a ser quase proféticas.
 
Faz-se importante ao ler este livro conhecer a historia da igreja em todas as suas ramificações e muito das profecias dos Apóstolos acerca da apostasia e da infiltração de falsos mestres. Muito do que Nietzsche condena no cristianismo de sua época, é fruto disto. Algumas de suas condenações são tão atuais que parece que está falando dos neopentecostais do nosso tempo.
 
Listo alguns dos pensamentos aos quais vale a pena refletir:
- O cristianismo, tomou partido de tudo o que é fraco, baixo e fracassado; forjou seu ideal a partir da oposição a todos os instintos de preservação da vida saudável; corrompeu até mesmo as faculdades daquelas naturezas intelectualmente mais vigorosas, ensinando que os valores intelectuais elevados são apenas pecados, descaminhos, tentações.
- Após o conceito de "natural" ter sido usado como oposto ao conceito de "Deus", a palavra "natural" forçosamente tomou o significado de abominável - todo este mundo fictício tem sua origem no ódio contra o natural.
- O cristianismo de fato nega a igreja.
- A igreja era uma insurreição contra os "bons e os justos", contra toda a hierarquia social, contra as castas, os privilégios, a ordem, o formalismo.
- O profundo instinto que leva o cristão a viver de modo que se sinta no céu e imortal, apesar das muitas razões para sentir que não está no céu: essa é a única realidade psicológica na salvação - uma nova vida, não uma nova fé.
- Os homens criaram a igreja a partir da negação do evangelho.
-  Com toda a difusão do cristianismo entre massas mais vastas e incultas, ate mesmo incapazes de compreender os princípios dos quais nasceu, surgiu a necessidade de torna-lo mais vulgar e bárbaro - absorveu os ensinamentos e rituais de todos os cultos subterrâneos do império romano e as absurdidades engendradas por todo o tipo de raciocínio doentio.
- Apenas a pratica cristã, a vida vivida por aquele que morreu na cruz, é cristã. Hoje tal vida ainda é possível, e para certos homens até necessária: o cristianismo primitivo, genuíno, continuará sendo possível em quaisquer época. Não fá, mas atos; acima de tudo um evitar atos, um modo diferente de ser.
- Reduzir o ato ser cristão, o estado de cristianismo, a uma aceitação da verdade, a um mero fenômeno de consciência, equivale a formular uma negação do cristianismo.
-  O primeiro cristão e também, receio o ultimo cristão, é um rebelde por profundo instinto contra tudo o que é privilégio - vive e guerreia sempre pela "igualdade de direitos".
- O movimento cristão, enquanto movimento Europeu, desde o começo não foi mais que uma sublevação de toda espécie de elementos desterrados e refugados - que agora, sob a mascara do cristianismo, aspiram o poder.
- A maneira como um teólogo (pastor ou padre), seja em Berlim ou em Roma, explica digamos uma passagem bíblica, ou um acontecimento, por exemplo, a vitória do exercito nacional, sob a sublime luz dos Salmos de Davi, é sempre tão ousada, que faz um filólogo subir pelas paredes.
- A humanidade prefere observar poses ao ouvir razões. 
 
 
Leitura não recomendada para cristão fanáticos!
Também não recomendo para quem não gosta de desilusão.
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PELA LEVEZA DO VIVER

Pela Leveza do Viver, primeiro livro do Pastor Villy Fomin, faz-nos sentir como se o pastor nos chamasse para uma conversa franca, transparente e sem rodeios sobre a vida cristã.
Posso descreve-lo como uma conversa em 111 páginas.
 
Com linguagem simples, como quem fala a um amigo intimo, ausente de palavreados técnico teológicos, ou mesmo, o fraseado gospel de efeito, o autor te leva e eleva a pensamentos sobre a graça de Jesus descrita nos evangelhos e como esta graça pode e deve nos alcançar em nosso dia cheio de complexidades.
 
Sem medo de expor seus valores de fé, mesmo sendo contrários a maré doutrinária vigente no Brasil, Villy faz uso de poetas e escritores referencias para contextualizar o que pensa. Ricardo Gondim, Eugene Peterson, Rubem Alves e Cecilia Meireles, além de outros citados, dão um peso a mais a tão brilhante conversa.
 
Longe de ser um livro doutrinário, é um livro de amor, amor pelas pessoas e pela liberdade que o evangelho nos quer dar e que muitas vezes, nos é roubada pelo peso imposto pela religião; longe de querer desfazer o mito Jesus-Deus, ele revela o homem Jesus, e o amor de Deus em cada passo, palavra e intenção nele.
 
Enfim...
Como prefaciou Ricardo Gondim: "Pela leveza do viver ajudará você, a andar com Deus e, a bailar nos céus, como pipa enamorada do vento".
 
Recomendo a leitura.
 
 
 
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

OS MISERÁVEIS

Foram 3 meses de leitura e 33.900 paginas de um e-book. Umas das leituras mais longas que já fiz. Para quem está acostumado a ler até 1000 paginas em 15 dias, foi um desafio.
 
Enfadonha? Em nenhum momento.
Mesmo levando em consideração o fato de ter assistido ao musical lançado recentemente sobre a obra, e por isso, saber o desenrolar a estória. Li sem expectativas de me emocionar tanto quanto com o musical, que me fez chorar muito e ficar deslumbrado com tamanha beleza. Porém, creio que tenha sido isto que me chamou a atenção às demais partes do livro, detalhes que acredito passariam desapercebidos em outras circunstancia.
 
Se verdadeiras ou não, não consigo julgar, mas os interlúdios com fatos históricos e as introduções filosóficas feitas pelo autor, são um show a parte. No inicio, confesso, que queria mais era rever a estória do filme, ansiava por Jean Valjean e Fantini, porém toda a referencia histórica feito sobre Paris e sua pobreza, o olhar critico do autor, as pitadas divinamente inspiradas do evangelho e da graça em cada pagina, me fizeram acalmar.
 
Exemplo do que tenho dito, foram a descrição sobre a Guerra de Waterloo, detalhes sobre as características psicológicas de Napoleão Bonaparte, a Ordem da Adoração Perpétua, sobre o papel dos Conventos, sobre a linguagem Calão, entre outros. 
 
De todos estes, a que mais me impressionou foi a historia dos canos de esgoto de Paris, e a critica feita pelo autor, sobre os altos custos com saneamento básico, a pobreza do povo e a importância do esterco. Focado totalmente no bem estar social,  critica o progresso desordenado, o que trará ruina à cidade e manterá o povo miserável.
 
Victor Hugo, durante todo o livro, faz criticas contundentes a toda a forma de governo que manipula as camadas sociais mais baixas, mantendo os privilégios dos ricos e subjugado os menos favorecidos. Porém faz um contra ponto com a graça divina, o que chama de Providencia, e que é a luz que ilumina o coração do pobre.
 
Uso palavras do autor para descrever tão maravilhosa obra:
 
"Enquanto existir nas leis e nos costumes uma organização social que cria infernos artificiais no ceio da civilização, juntando ao destino, divino por natureza, um fatalismo que provem dos homens; enquanto não forem resolvidos os três problemas fundamentais: a degradação do homem pela pobreza, o aviltamento da mulher pela fome, a atrofia das crianças pelas trevas; enquanto, em certas classes, continuar a asfixia social ou, por outras palavras e sob um ponto de vista mais claro, enquanto houver no mundo ignorância e miséria, não serão de todo inúteis os livros desta natureza" - Hauteville House, 1862.
 
Super recomendo, e aos que se aventurarem, boa leitura!