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domingo, 8 de dezembro de 2013

OS CAMINHOS DE MANDELA

Há muito, iniciei uma pesquisa para alguns artigos no Blog. A série se chamaria "Discípulos Esquecidos" e trataria de pessoas que mudaram a historia do mundo, mas foram esquecidos pela igreja.
 
Esquecimento este por escolha do protagonista que via o ser usado por Deus sem levantar uma religião, algo mais benéfico à causa, por tratar-se de algo maior que um "nome", ou porque a igreja não os vê como discípulos, visto sua luta ser maior que o ideal que ela propõe. Tarefa nada fácil, tanto que com o decorrer do tempo, ficou esquecida. Porém um dos nomes mais marcantes dala nunca saiu da minha cabeça: Nelson Mandela.
 
Iniciei minha jornada para conhecer este ícone do nosso tempo através do livro "Os caminho de Mandela - Lições de vida, amor e coragem" e posterior a este "Conversas que tive comigo" em que ficam evidentes o ideal maior que movia Mandela.
 
Sua vida é marcada pelos ensinamentos do seu povo, raízes estas nunca deixadas por ele, mas também há muita influencia cristã, devido as escolas em que passou ligadas a tradição de igrejas Wesleyanas, e a alguns religiosos que fizeram parte de sua vida, primeiro o reverendo Matyolo e mais tarde o Arcebispo Desmond Tutu. 
 
Nascido para ser príncipe de sua tribo, decidiu lutar pelos povos da África, doando sua vida pelo ideal de liberdade e igualdade para todos - UBUNTU - "Sou o que sou, pelo que nós somos".
 
Mandela, em meu ponto de vista, é e sempre será mais que um estadista, ou revolucionário, será uma estrela a apontar para o ideal cristão mais excelente, o amor.
 
Carteira de Membro da igreja Metodista, 1930
 
 E a lição para nós cristãos em tudo isso, é esta, que a despeito da fé que professamos, e da placa que alimentamos, está o ideal que nos move, e que não é, e nunca foi a busca por uma outra pátria, mas sim, o estabelecimento do Reino, aqui e agora, para todos. Um reino, que é maior que comida e bebida, onde a justiça, a paz e a alegria seja para todos sem exceção, porque para Deus não há judeu, grego, servo ou livre, não há macho e nem fêmea, pois todos somos um em Cristo.
 
Perdemos mais que um homem, perdemos um herói, um pedaço vivo da história, espero que não percamos os seus ideais, seus valores, e a inspiração que o motivou durante todos os seus dias, e muto mais, durante os 27 anos em que esteve preso.
 
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
 
Nelson Mandela - 1918 - 2013.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PL 122 E O PROCESSO DE INFANTILIZAÇÃO DO HUMANO

Gostaria de ter uma audiência com a bancada evangélica e com os lideres LGBTs. Começaria dizendo que não preciso de uma lei para que as pessoas deixem de falar mau de mim. Se não falarem da minha intimidade, uma vez que, se intrometer em quem deita na minha cama, que está dentro da minha casa, é no mínimo invasão de intimidade e privacidade, encontrarão, logo, outros motivos. Quer saber: sou magro de dar dó, tenho orelhas grandes, etc. Falar do outro é tão humano, que não consigo imaginar uma lei destas. Preciso de uma lei que me defenda de políticos corruptos e religiosos aproveitadores, isso sim, seria algo útil à sociedade.
 
Bullying, na minha opinião, nada mais é que um "mimimi" criado pela sociedade chata e mimada americana. Quando na escola sofria com apelidos, caso chegasse em casa chorando, ai de mim, pior que sofrer com apelidos, era apanhar da cinta do meu pai. Pergunte isso a pessoas com 30 ou mais idade e terá respostas bem parecidas. Não morri, não matei, mas aprendi a me defender. Infelizmente, sei que não é assim com todas as pessoas, porém precisamos amadurecer, e para isso, todas as experiências boas ou ruins fazem parte. Psicologia clássica, você paga absurdos em terapia, o psicólogo te ouve e aponta na sua cara todos os teus defeitos e te dá alta, você fica satisfeito, teve "autoconhecimento", cresce, amadurece. É a vida, ou você muda, ou se aceita e segue em frente! Criar uma redoma ao redor de nós, não nos ajudará. Criem leis que incentivem a formação de professores, criança preconceituosa é desinformação, professor preconceituoso é inadmissível. Incluam acompanhamento psicológico e de assistência social, para que a escola, além de informar, ajude na formação do individuo, capacitando-o a lidar com as diferenças de maneira natural.
 
O que precisa ficar claro é que sou o David, não sou gay, não sou bichinha, mulherzinha, boiola, maricas, bambi ou qualquer outro adjetivo. Quando me conheço, não sofro com apelidos depreciativos, não falam de mim, não me definem. Meus amigos sabem disso, e convivemos muito bem com as brincadeiras e piadas pesadas sobre o assunto. Não os imagino podando a zoação com são paulinos por medo de me ofenderem ou pelo risco de serem presos. Racismo é crime há mais tempo e nunca vi alguém preso por chamar de negrinho, negão, marrom-bombom; geralmente há processo para indenização financeira. É isso que vocês querem criar mais uma maquina de ganhar dinheiro? Pergunte a um negro se, se incomoda com os apelidos, creio eu que não, o que incomoda de fato, é o desrespeito, a violência e a falta de iguais oportunidades.

Mensuraram o impacto disto nas famílias? Já ouvi criança em fase escolar dizendo que "se apaganhar dos pais, chamará a policia", reflexo da lei das palmadas. Há famílias que aceitam a homossexualidade, outras levam seus filhos para terapias de reversão, outras os expulsam de casa e outras guardam silencio. O que é mais fácil então,  processar os pais, ou promover meios de conciliação?
 
Importante é informar-lhes que as eleições populares, colocam no poder representantes do povo, para o povo, e não representantes de Deus. Quando o justo governa o povo se alegra, não é isso que afirmam as escrituras? O que vemos atualmente são pessoas que acreditam terem sido levantadas para fazer o juízo de Deus contra os que não professam a mesma fé, ou estão propondo projetos que tendem a beneficiar apenas uma parcela da sociedade. Não sabem o que é politica! Governem para todo o povo, ou se levantem a bancada dos negros, dos indígenas, das religiões afro. Que cada um defenda o seu, porque é cada um por si e Deus apenas para os evangélicos.
 
Impor qualquer doutrina, ensino, regra, costume religioso a pessoas que não possuem a mesma fé, é retrocedermos à Inquisição, e sabemos que o resultado disto não é bom. Voltem os olhos para o passado e permita-lhe que os ensine. O Brasil é um pais laico e todos devem ter seus direitos de cidadão respeitados. Cumpram os princípios fundamentais da Constituição, artigo 3 - "promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, cor, idade, e quaisquer outra forma de discriminação.
 
O que vocês tanto temem?
Que gays que frequentam as igrejas e se ocultam, se assuma e queiram casar-se?
Não temam, se eles estão na igreja e não se manifestaram, não será por causa de alguma lei que o farão. O que querem é servir a Deus e por isso se ocultam, medo da exclusão da comunidade e da presença de Deus.
Qual o receio?
A proibição de pregarem em praça publica?
Entendo que este tipo de cerimônia deva ser exclusivamente de cunho evangelístico. Culto de doutrina se faz no tempo, para membros da comunidade. Preguem na praça as boas novas, a misericórdia e o amor, não o fogo da condenação. A maioria da população já vive um inferno, não tendo o mínimo para a sobrevivência, excluídos da sociedade, sem acesso a saúde, educação, saneamento-básico. Pra que acender ainda mais a chama da dor?
 
Não duvido que haja pessoas mal intencionadas, que entrarão na igreja e esperarão em silencio dias e dias, até ouvirem algo que não concordam, para então processar o tal pastor. Porém creio eu, e creio que vocês sentem que seja uma bem aventurança o sofrer perseguições e injustiças por amor ao Cristo. Evidente que esta pessoa esta possuída por um mal desejo e cremos que Cristo advoga nossa causa e nos fará a justiça, porém, se não o fizer, combata o bom combate, sofra a injustiça, como Cristo padeceu pela igreja. No mais, não queiram fazer o trabalho de Deus.

Há ambos, não infantilizem as pessoas, não manipulem, não usem como massa de manobra politica ou por quaisquer interesse. Dê o conhecimento e permitam que julguem por si só. Tenho minhas convicções e experiências de vida, está é a minha verdade, podem concordar com ela ou não. Mas foi o que me trouxe até aqui, sendo cristão e homossexual, sem sofrer excessivamente ou causar dano a ninguém.
 
Há quem sofra, há quem mate, há quem morra, há quem chore, mas também há os que sorriem e são o que são sem peso. Impossível aqui levantar todas as variáveis, por isso, deixem que cada um decida por si, permitam que cresçam, responsáveis por seu atos.
 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O POEMA DO SEMELHANTE - Elisa Lucinda

O Deus da parecença que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza em sentimento
que nos pluraliza, que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu destino aos meus versos,

Foi Ele quem arrancou deles a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de individuo ainda maior, embora mais justa.

Me assusta e acalma ser portadora de várias almas
de um só som comum eco, ser reverberante
espelho, semelhante, ser a boca
ser a dona da palavra sem dono de tanto dono que tem.

Esse Deus sabe que alguém é apenas o singular da palavra multidão
É mundão, todo mundo beija, todo mundo almeja, todo mundo deseja, todo mundo chora
alguns por dentro, alguns por fora, alguém sempre chega, alguém sempre demora.

O Deus que cuida do não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa de similitude
bateu-me no peito do meu amigo

encostou-me a ele em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura, a solidão do medo, a solidão da usura
a solidão da coragem, a solidão da bobagem, a solidão da virtude
a solidão da viagem, a solidão do erro, a solidão do sexo
a solidão do zelo, a solidão do nexo.

O Deus soprador de carmas deu de eu ser parecida
Aparecida, santa, puta, criança
deu de me fazer diferente
pra que eu provasse da alegria de ser igual a toda gente

Esse Deus deu coletivo ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.

Não fosse a inteligência da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança.
 

domingo, 27 de outubro de 2013

ENTRE A CRUZ E O ARCO-ÍRIS

O livro se inicia com uma advertência para gregos e troianos: "não sou um livro de respostas", porém tratando-se de um assunto polemico, ambos os envolvidos, farão uma leitura tendenciosa buscando evidenciar que o seu lado nesta guerra "nada santa" está correto.
 
De um lado do ringue, cristão procuram motivos para um novo dia de Sodoma e Gomorra, dia este em que fogo cairá do céu e consumirá todos os pecadores; do outro lado, gays, querendo a destruição da 'sagrada família, do Reino de Deus e desejando conquistar o mundo com uma ditadura gay alcançando direitos acima de todos os Direitos.
 
O livro é eficaz naquilo que se propõe - sem respostas - mostra a realidade nua e crua dos dois lados, mas faz algo mais, mostra também aqueles que não se enquadram em nenhum dos lados, aqueles que estão ENTRE a cruz e o arco-íris: pastores e gays que encontraram através dos ensinamentos de Jesus e seu amor incondicional, uma forma de não fechar as portas, nem para Deus que deixou sua glória e saiu em busca de suas ovelhas, e nem para o homem, que busca em Deus motivos para sua complexa existência.
 
Interessante é, ao longo dos poucos relatos pessoais, perceber a mudança  interna, quebra de paradigmas, sensibilização, empatia e amor pelo outro, vividos pela autora, que culminou na busca pela humanização do tema, mostrando também o sofrimento das famílias envolvidas, pais e mães que devido a religião, são "obrigados" a por na geladeira o amor que sentem pelos filhos, e gays que devido às pressões da religião, chegam ao fundo do poço da não-aceitação e dão fim a própria vida, num ato de total desespero. Situações estas, muitas vezes deixadas de lado, quanto militantes dos dois lados, se apresentam nos púlpitos para defenderem suas posições.
 
Minha critica em relação a ele, deve-se ao fato de que, como sempre, os debates resumem-se apenas à cama, não se leva em conta que heterossexuais se unem em matrimonio por muito mais motivos que apenas o sexo, homossexuais também!!  Faltou relatos de casais homoafetivos, cuja união seja consistente como as idealizadas pela igreja, e que conseguem equilibrar sexualidade e religião.
 
Assim como a autora, devia possuir seus preconceitos pelo desconhecimento, a sociedade precisa também saber que há homossexuais que, como muitos heterossexuais, não são promíscuos e querem viver uma vida moralmente sadia em seus relacionamentos.
 
A falta de conhecimento, ainda é a maior fonte de preconceitos!!
 
Entre a Cruz e o Arco-Íris - A complexa relação dos cristãos com a homoafetividade.
Autora: Marilia de Camargo César
Editora Gutenberg
239 páginas
 
 
 
 
 

domingo, 29 de setembro de 2013

AMOR DE INDIO

Música lindíssima na voz de Maria Gadú, um tributo a vida vivida com amor, evangelho puro, simples e poético.


sábado, 28 de setembro de 2013

CICLO DA VIDA, UMA REFORMA PELA FELICIDADE

Estamos, todos nós fadados ao ciclo da vida: "nascer, crescer, reproduzir e morrer". 
Foi com base nisso que toda a historia humana foi escrita. Povos e nações, foram criadas, se desenvolveram e se estabeleceram, algumas delas duram até os dias de hoje. É o  poder da permanência através dos tempos, a tão sonhada eternidade.
 
Homens e Mulheres, carregam desde então, o peso de serem os perpetuadores da espécie, e não só isso, são os responsáveis por levarem para a posteridade o nome da família. E assim, leis morais, não escritas, mas transmitidas no seio da família, foram sendo criadas e a cada geração, solidificadas. O poder deve permanecer nas mãos de quem o detém!!
 
E para isso, algumas destas leis, criaram tabus como "não se casar, não ter filhos, ou ter filhos apenas do sexo feminino". e eram causa de vergonha familiar  e muito além disso, o que deveria ser um direito, uma escolha pessoal, carregando um peso de lei moral, colocava a margem social quem não se adequava, ou quem escolhia seguir outro rumo na sua breve vida.
 
O que não se levava em conta, até pela manutenção do poder, eram as várias questões que fazem uma pessoa decidir por viver só, as outras que interferem na procriação, foram sendo derrubadas a medida que a ciência medica avançava.
 
Porém, por qual motivo, mantemos ainda hoje, sob nossos ombros esta responsabilidade, e em nossa sociedade estes tabus?
 
Quem nunca ouviu num tom de reprovação: "vai ficar para titia heim?"; Ou ainda: "Esta na hora de ter filhos!"; E quando nasce uma menina: "E quando vem o machinho da família?"; Mesmo que de forma velada, em tom de brincadeira, ainda existe a cobrança, e muitos sofrem com comentários desagradáveis por serem solteiros, por terem mais de 30 e não serem casados, por serem casados e não terem filhos, por decidir não ter filhos e por qualquer inadequação aos padrões sociais.
 
O quanto devem estar cheio os consultórios terapeutas com pessoas que se sentem inadequadas pelos motivos citados, muitas delas depressivas ou com instintos suicidas. Basta uma conversa em um grupo de amigos, para perceber que o tema ainda incomoda e tira a felicidade de muitos.
 
Acredito que já passou a hora de reformularmos este ciclo da vida, tenho uma sugestão: "nasce, cresce, decide como viver feliz e morre".
 
O que não podemos mais aceitar é a infelicidade, que causa além da morte social, pela marginalidade, a morte física antes do tempo, devido a cobrança de uma adequação social que ao outro é impossível vivenciar.
 
Que as leis morais que nos regem sejam todas elas a favor do humano, baseadas no amor.
 
Pense nisso!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

DOIS

Dois,
Palavra que se diz de boca cheia,
De tão completa possui eco.
Nunca está sozinha.
Já nasceu soma. É par.

Dois,
É sonho acompanhado.
Desejo saciado.
Vitória repartida.
É felicidade sem medida.

Dois,
Já disse a sabedoria de Deus é sempre melhor.
São dois que se fazem um.
É força, é calor, ajuda e sustento.
É unidade que vence qualquer tormento.

Dois,
Sou eu, é você
Cada um do seu jeito.
Somos nós.
Sem tentar ser perfeito.

Dois passos,
Um único caminho.

Dois corações.
O mesmo ritmo.

Dois bailando.
Uma só canção.

Dois anos, um amor.
Uma aliança por toda vida.