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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

VARIAÇÃO SOBRE O PRAZER

Sempre ouvi falar sobre Rubem Alves, mas nunca tinha lido nada que ele tivesse produzido, até a indicação deste livro: "Variações sobre o prazer" feita no vídeo #Rabiscando4 do Will e do Minoru, postado aqui no dia 22.01.2012.

O livro é um convite ao paladar, uma fruta suculenta na capa, um convite ao sabor indescritivel, que só sabem o que é, àqueles que se aventuram na busca pelo prazer em todos os "sentidos" - sentidos estes os do corpo: visão, paladar, olfato, audição e tato - e fazem disso a razão da sua vida, como uma criança a conhecer o Mundo.


Já na apresentação o autor mostra a que veio: "Neste livro não haverá notas de rodapé (...) incluirei no meio do texto 'notas de canapé' coisas pesquenas e saborosas", e no decorrer dos capítulos, auxiliado por Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette e apoiado por Fernando Pessoa, Adéia Prado Guimaraes Rosa e Pablo Neruda, ele vai descortinando as variações do prazer, até retornar ao Paraiso, o Éden, o jardim de delicias, afinal o paraíso é a exuberância do prazer.


Recomendo não somente a leitura, mas o degustar de tão maravilhosa obra.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CARTA AOS PAIS DE FILHOS GAYS - CAIO FABIO




"Quem quer ser recebido por Deus, não fecha a porta para ninguém que seja considerado diferente, estranho ou marginal."

É o lençol da casa de Simão, que baixou dos céus com toda sorte de animais que os judeus consideravam impuros. E o Senhor disse a Pedro: Pedro, levanta, mata e come, "poe para dentro."
E Pedro disse: Eu não! Não como estas coisas, sou judeu, fui criado de outro modo, tenho outros costumes.
E o Senhor disse a ele: Pedro, não considere como imundo o que Deus santificou, O SER HUMANO.

Atos dos Apóstolos, cap. 10.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ROSAS

Andando há muito tempo.
Por um caminho traçado entre roseiras.
Certo dia o coração ficou triste.
E a alma cheia de canseiras.

Sabe aquele dia, em que tudo perde o sentido?
O perfume não sentia.
A beleza se escondia.
E os espinhos não mais feriam.


Uma chaga mortal estava aberta.
Cadê a graça da vida?
Aquela que todo mundo tem e não sabe explicar.

Que desgraça!
A vida perder a graça.

Mas não parou no caminho.
Não se entregaria assim de graça.
Seria sem graça.

Havia um longo caminho a percorrer.
E depois das roseiras.
Haveria o que?

Era nisso que pensava.
A cada passo que dava.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SAIR PARA BRINCAR

Vou sair para brincar, explorando limites no quintal.
Tomar banho de mangueira, expor sentimentos no varal.

Vou sair para brincar, e brindar o que a vida tem.
De lugares a pessoas, não me prender a ninguém.

Vou sair para brincar, de amar e ser amado.
Na casa da árvore me esconder, toda vez que for machucado.

Vou sair para brincar e não vou fechar a porta.
A vida tem muito a oferecer, e também um lugar de volta.

Vou sair para brincar, de pegar e de esconder.
Ser apenas, sem poderes, na brincadeira de viver.

Vou sair para brincar, vou sair para viver.
Vou ali, mas não me espere, tenho muito a aprender.

domingo, 22 de janeiro de 2012

LIMITAÇÕES E LIMITADORES




Para saber mais:
http://www.celebraii.com.br e twitter @willcjc
http://minorulandia.blogspot.com/ e twitter @minorulandia

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O TRAJE DE GALA

Uma parábola sobre a verdadeira religião, sobre a intolerância, e o amor de Deus.

Num reino distante, o Reiconvocou toda a população para uma festa. A única exigência para poderemparticipar dela, era que deveriam comparecer vestidos com trajes de gala.  A população se animou, pois muitos nuncahaviam sequer passado perto do palácio, e durante os dias que antecederam afesta, não se ouvia outro comentário, a não ser sobre a festa real e o taltraje de gala.  
Estilistas, alfaiates,costureiras e artesãos de todo o reino, investiram seus dias e inclusive suasnoites para que toda a população estivesse trajada adequadamente para a festa. Brigavamentre si, dizendo que apenas eles sabiam o que realmente era o tal traje. Faziama cabeça da população, impondo medo, fazendo muitos gastarem até o que não possuíam,anunciavam pelas ruas, com cartazes, iam de porta em porta, tentando convencerum a um de que seus croquis eram os melhores e os mais corretos.  

Com isso, algumas pessoas que seachavam queridinhos do Rei diziam em alto e bom som que seriam os mais belos, eque o Rei os favoreceria; Os mais abastados andavam despreocupados, poisacreditavam saber muito bem o que seria o tal traje de gala e mandaram trazersuas vestes do exterior.  Alguns outrosfaziam alardes nas ruas sobre suas roupas, usando-as já no dia-a-dia, como sejá vivessem em festa e criticando o restante da população, que apesar deansiosa, ainda vivia sua rotina diária; e outros estavam apavorados por nãosaberem bem o que era o traje de gala, porém, escolheram com o máximo decuidado o que vestirem na ocasião.
Chegado o grande dia, soldadosreais, anunciaram a todos que haveria uma inspeção logo na entrada do palácio,esta notícia trouxe temor aos habitantes da cidade, pois pairou no ar algumas questões:Porque este traje é tão importante? E se não estiver vestido adequadamente, oque acontecerá?

O relógio da catedral da cidadebadalou sete vezes, anunciando que os portões do palácio estavam abertos, e oque se viu foi uma grande comitiva, pessoas a pé, de caro, de carroças,montadas em animais, famílias inteiras caminhavam imponentes em direção ao palácio,onde logo na entrada, dois sentinelas os olhavam de cima a baixo, conferiam alista de convidados e faziam uma anotação, que curiosos queriam saber o queera, porém, a todos foi permitida a entrada.
Após toda a população entrar nosalão principal do palácio, os portões foram fechados e tocaram-se trombetasanunciando a entrada do Rei e sua família. Porém algo estranho acontecia.

Os convidados começaram aperceber que suas vestes eram muito diferentes, algumas tinham mais brilho,outras eram simples, algumas coloridas, outras pareciam que tinha acabado deser tirada de dentro de uma garrafa de tão amassada, outras eram tão engomadasque seu dono mal podia se mexer. E os cochichos e disse-me-disse tomaram contada festa, caras e bocas se viam de todos os lados, as crianças e alguns idososapontavam o dedo e com a mão na boca sorriam, também havia aqueles que riamescancaradamente, e outros, que ferozmente acusavam os demais de estarem malvestidos para se apresentarem ao Rei. Nem mesmo o clima imponente do palácio eo anúncio da entrada triunfante do Rei, puderam conter os ânimos da população.
Ao soar a sétima trombeta,o Rei desceu as escadas rumo ao salão principal onde estavam todos reunidos, ea cada passo do Rei, o povo fazia reverencia, encurvando-se em sinal dehumildade. O Rei nem sequer olhou-os, caminhou lentamente em direção ao trono,se assentou e fez um gesto com uma das mãos, como quem pedia silêncio, poisapesar da sua presença, os comentários sobre o tal traje não findava.

De repente, uma criança saiudetrás das cortinas que estavam atrás do trono, com uma roupa tão simples, maissimples que a do mais pobre camponês convidado, porém ela resplandecia edeixava a criança mais bela que os filhos dos deuses. Ao perceberem a criança,fez-se um silêncio tal, que nem mesmo a respiração podia ser ouvida, porém,dentro de seus corações arrazoavam a respeito daquela criança tão mal vestida.
A criança então andou até um púlpitoque estava próximo ao trono e pegou um livrinho preto que estava ali exposto,abriu-o e leu o que estava escrito em tom escarlate, sua voz, não era uma vozinfantil, porque ecoou no salão, assustando a todos. Ele disse:

“Todos sem distinção estãovestidos inadequadamente, porém ninguém está mais belo que meu filho, e poreste motivo, todos são convidados, podem começar a festa”

Quem tem ouvidos ouça o que oEspírito diz à igreja.

sábado, 7 de janeiro de 2012

BELEZA E GRAÇA




Tudo é uma questão de manter meus olhos abertos.
A beleza e a graça existem, quer as percebamos ou não.
O mínimo que podemos fazer é tentar estar ali de modo que a natureza não tenha de apresentar seu espetáculo para uma platéia vazia.

Annie Dillard - citada por Philip Yancey em Alma Sobrevivente.